Desde 11 de março de 2026 está em vigor a Emenda 1/2026 da NBR 6118, a norma da ABNT que rege o projeto de estruturas de concreto no Brasil. A mudança tem um efeito direto e silencioso sobre o mercado da construção: a Avaliação Técnica de Projeto (ATP) deixou de ser recomendação e passou a ser requisito obrigatório, exigindo que cada projeto estrutural seja conferido por um engenheiro independente do autor, com parecer registrado em ART. É a oficialização de uma ideia simples — quem desenha o projeto não deveria ser a única pessoa a aprová-lo. E embora a norma trate de concreto, o princípio já está se espalhando para todas as disciplinas de uma edificação, inclusive os projetos de instalações elétricas, hidráulicas, de esgoto e de drenagem.
O que é a Avaliação Técnica de Projeto e o que muda com a NBR 6118:2026
A NBR 6118 sempre foi a referência para projetistas de estruturas de concreto no país. A quinta edição, de 2023, já trazia avanços como a generalização do modelo de treliça e critérios para concretos de alta resistência. Em março de 2026, a ABNT publicou a revisão na forma de emenda e transformou a Avaliação Técnica de Projeto em obrigação para todas as estruturas de concreto armado ou protendido. Não se trata mais de uma boa prática opcional: a verificação por um segundo profissional virou etapa formal do desenvolvimento do projeto.
O ponto central da nova exigência é a independência. A revisão interna feita pelo próprio escritório continua válida e importante, mas a ATP pede um olhar externo, imparcial, de alguém que não participou da concepção. A lógica é a mesma que move auditorias contábeis ou revisão por pares na ciência: quem está imerso no próprio raciocínio tende a não enxergar as próprias falhas. Em um projeto de edificação, essas falhas podem significar cargas esquecidas, elementos subdimensionados, incompatibilidades entre desenhos ou especificações de material inadequadas à agressividade do ambiente.
Os sintomas de um projeto que nunca passou por uma revisão independente costumam aparecer tarde — e caro. Quando surgem, raramente vêm sozinhos. Veja os sinais de alerta mais comuns de não conformidade.
- Divergências entre o projeto e a obra executada, descobertas só no canteiro.
- Retrabalho de instalações porque furos, prumadas e shafts não foram compatibilizados entre disciplinas.
- Memoriais de cálculo incompletos ou sem rastreabilidade das hipóteses adotadas.
- Ausência de ART específica para a etapa de revisão do projeto.
- Patologias precoces — fissuras, infiltrações, perda de pressão — cuja origem ninguém consegue atribuir com clareza.
Como funciona a ATP: etapas, classes de consequência e normas envolvidas
A revisão independente segue, na prática, as mesmas etapas de concepção e verificação de um projeto — só que sob a ótica de um auditor. O avaliador percorre o trabalho do início ao fim, confrontando desenhos, planilhas e memoriais. No caso estrutural, a edição de 2026 organiza esse trabalho em passos bem definidos.
- Concepção e modelagem: verifica se o sistema é adequado ao uso, conferindo cargas permanentes e variáveis (NBR 6120), combinações de ações (NBR 8681) e ações de vento (NBR 6123).
- Estados Limites de Serviço (ELS): avalia deformações, vibrações e fissuração — por exemplo, o limite de flecha de L/250 em vigas e a abertura máxima de fissuras conforme o ambiente.
- Estados Limites Últimos (ELU): confere estabilidade global, efeitos de segunda ordem em pilares esbeltos e a resistência das seções à flexão e ao cisalhamento.
- Detalhamento e durabilidade: revisa armaduras, ancoragens, cobrimentos mínimos e a classe de agressividade ambiental, além da compatibilidade com arquitetura e instalações.
- Parecer técnico: emite documento formal com ART, que passa a integrar o projeto e registra responsabilidades.
A profundidade dessa revisão não é igual para toda obra. A edição de 2026 adota três classes de consequência, que graduam o rigor exigido conforme o risco que uma falha representaria. Quanto maior a ocupação e o impacto potencial, mais criteriosa precisa ser a avaliação.
| Classe | Tipo de edificação | Exigência de ATP |
|---|---|---|
| CC1 | Pequeno porte, baixa ocupação (abrigos, residências unifamiliares baixas) | Recomendada; dispensa possível por acordo formal |
| CC2 | Residenciais e comerciais típicos, de poucos pavimentos | Fortemente recomendada; dispensa possível por acordo formal |
| CC3 | Hospitais, escolas, arenas, pontes e edifícios altos | Sempre obrigatória |
É importante entender o limite do escopo. A revisão independente verifica o atendimento às normas e à segurança, não a economicidade ou a escolha da solução: cabe ao projetista original justificar a eficiência e o custo-benefício de sua proposta. A auditoria também não substitui a compatibilização completa entre disciplinas — embora a confirme. E aqui está a ponte que interessa a quem constrói: a mesma disciplina de revisão que agora é obrigatória no concreto é exatamente o que reduz erros nos projetos de instalações. Um projeto hidráulico, elétrico, de esgoto ou de drenagem ganha a mesma proteção quando passa por conferência independente e compatibilização em modelo BIM.
Por que tratar agora: riscos legais, técnicos e financeiros
Ignorar a revisão de projeto deixou de ser uma economia e passou a ser uma exposição. No plano legal, a auditoria independente de projeto agora integra a documentação exigida pela norma para estruturas de concreto, e a sua ausência fragiliza a defesa de construtoras e projetistas diante de qualquer questionamento técnico. O parecer com ART cria rastreabilidade: deixa registrado quem verificou o quê, quando e sob qual critério.
- Falhas corrigidas no papel, antes do concreto e da tubulação
- Cronograma e orçamento previsíveis
- Documentação completa, com ART de projeto e de revisão
- Menos aditivos e retrabalho no canteiro
- Erros descobertos durante a obra, quando custam mais
- Atrasos por incompatibilidades entre disciplinas
- Responsabilidade técnica difusa em caso de patologia
- Risco de não conformidade com a edição vigente da norma
No plano técnico, a revisão independente captura justamente os erros que a familiaridade esconde: uma carga não considerada, uma prumada que atravessa uma viga, um cobrimento incompatível com a maresia do litoral. No plano financeiro, o cálculo é direto. Corrigir uma falha em projeto custa frações do que custa demolir, refazer e indenizar atrasos. Cada incompatibilidade resolvida em modelo BIM, antes de a primeira fôrma subir, é dinheiro que não vira aditivo contratual.
Não espere a obra começar para identificar problemas. A revisão entra no planejamento do projeto, não no improviso do canteiro.
Quem pode realizar a avaliação de projeto
A norma é explícita: a Avaliação Técnica de Projeto deve ser conduzida por engenheiro habilitado, com registro ativo no CREA e experiência compatível com a obra, e necessariamente independente do autor do projeto. O profissional emite parecer e recolhe ART específica para a revisão — não basta a ART do projeto original. Essa exigência de independência é o que diferencia a auditoria de uma simples conferência interna de escritório.
O mesmo raciocínio se aplica aos projetos de instalações prediais. Um projeto elétrico conforme a NBR 5410, um projeto hidráulico conforme a NBR 5626, um projeto de esgoto conforme a NBR 8160 ou de drenagem conforme as normas de águas pluviais ganham confiabilidade quando há um responsável técnico revisando cada entrega e compatibilizando as disciplinas entre si. É um trabalho de engenharia, não de desenho: pede leitura crítica de cargas, vazões, dimensionamentos e interferências.
Como a GreenGold Engenharia entrega projetos revisados e compatibilizados
A GreenGold Engenharia desenvolve projetos de instalações prediais — elétrico, hidráulico, esgoto e drenagem — com a disciplina de revisão técnica independente aplicada do início ao fim, em ambiente BIM. São mais de 20 anos de operação e mais de 500 mil m² de área projetada e entregue, o que permite tratar a compatibilização entre disciplinas como rotina, não como exceção. Cada prumada, eletroduto e tubulação é posicionada no modelo tridimensional e conferida contra estrutura e arquitetura antes de a obra começar — o mesmo princípio que a nova norma agora torna obrigatório no concreto.
A coordenação técnica é de Rafael Barcelar (CREA-MG 0000214181D), responsável pela revisão de cada entrega. Esse fluxo de conferência por um responsável técnico é o que reduz furos errados, prumadas conflitantes e aditivos de obra — convertendo a revisão de projeto em economia mensurável para o cliente.
O atendimento cobre quatro estados, com coordenação e revisão técnica em MG, SP, RJ e ES. Em Minas Gerais, atende Belo Horizonte e a Região Metropolitana, com projetos dentro das exigências da Cemig e do CREA-MG. Em São Paulo, cobre a Capital, a Grande São Paulo e o interior, dialogando com Enel/EDP e Sabesp e com o CREA-SP. No Rio de Janeiro, atua na Capital, na Baixada e na Região dos Lagos — com escritório na Barra — considerando Light/Enel, Águas do Rio e o CREA-RJ. No Espírito Santo, atende Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica, com EDP ES, Cesan e CREA-ES como referências locais.
Sobre valores: para residências e casos simples, o projeto de instalações trabalha com faixa orientativa que depende da área, do número de pontos e das disciplinas envolvidas. Para edificações comerciais, multifamiliares, industriais e empreendimentos com compatibilização BIM e múltiplos pavimentos, o orçamento é elaborado sob consulta, conforme o escopo de cada obra.
Perguntas frequentes
A revisão técnica de projeto é obrigatória para todo projeto agora?
Para estruturas de concreto, a Emenda 1/2026 da NBR 6118 tornou a avaliação obrigatória, sempre exigida em obras de classe CC3 (hospitais, escolas, edifícios altos, pontes) e fortemente recomendada nas demais. Para projetos de instalações, a revisão independente ainda não é exigência legal única, mas já é o padrão de qualidade adotado por construtoras que querem evitar retrabalho.
Qual a diferença entre revisão interna e ATP?
A revisão interna é feita pelo próprio escritório que criou o projeto. A Avaliação Técnica de Projeto exige um profissional habilitado e independente do autor, garantindo imparcialidade. As duas se complementam, mas só a segunda atende à exigência de independência da norma.
A revisão de projeto precisa de ART?
Sim. O avaliador emite um parecer técnico que passa a integrar o projeto e recolhe ART específica para a etapa de revisão. Essa ART é distinta da ART do projeto original e registra a responsabilidade pela conferência.
Como o BIM ajuda na revisão e compatibilização?
O modelo BIM reúne todas as disciplinas em um único ambiente tridimensional, o que permite detectar interferências — uma tubulação que cruza uma viga, dois eletrodutos no mesmo trajeto — antes da execução. Isso acelera a conferência e dá objetividade à compatibilização entre estrutura, arquitetura e instalações.
Quando contratar a revisão de um projeto de instalações?
O ideal é prever a revisão já no planejamento, em paralelo ou logo após a conclusão do projeto, antes do início da obra. Quanto antes a conferência acontece, mais barato é corrigir — uma falha resolvida no modelo custa frações do que custaria no canteiro.
ou ligue (31) 97257-1347
Responsável técnico: Rafael Barcelar — Engenheiro Civil — CREA-MG 0000214181D
Fontes:
ABECE — “NBR 6118 tem emenda publicada pela ABNT” (site.abece.com.br)
ABNT NBR 6118:2023 + Emenda 1/2026 — Projeto de estruturas de concreto: procedimento
Análise técnica “NBR 6118:2026 — Avaliação Técnica de Projeto (ATP)” (masteremmodelagem.com.br, mai/2026)

