A ABNT publicou em 10 de março de 2026 a nova edição da NBR 5419, a norma que define como as edificações devem se proteger contra descargas atmosféricas. A revisão substitui integralmente a versão de 2015, atualiza o mapa de incidência de raios do Brasil com dados de satélite, troca o conceito de “classe” por “nível de proteção” e passa a exigir proteção contra surtos até para equipamentos comuns de prédios residenciais e comerciais. Na prática, um projeto de para-raios aprovado há alguns anos pode já estar fora de conformidade — e a diferença aparece justamente quando um raio atinge a estrutura.
O que mudou na norma de SPDA
A edição de 2026 da NBR 5419 não é um ajuste cosmético. Ela reescreve a base de cálculo que projetistas usavam desde 2015. A mudança mais estrutural está no índice Ng, que mede a densidade de descargas atmosféricas por quilômetro quadrado ao ano em cada município. Antes, esse dado vinha de séries históricas limitadas; agora, o Brasil passou a usar dados de satélite e sensores de solo de alta precisão. O resultado surpreendeu: em muitas cidades a incidência real de raios é bem maior do que se supunha, o que eleva o nível de proteção exigido e obriga malhas de captação mais fechadas.
A segunda mudança relevante é conceitual. A NBR 5419 abandona o termo “classe de SPDA” e adota “nível de proteção” (NP). A correspondência é direta — Classe I vira NP I, Classe II vira NP II, e assim por diante — mas o vocabulário do projeto muda, e memoriais antigos passam a soar defasados diante da fiscalização e do corpo de bombeiros.
A terceira, e talvez a de maior impacto no dia a dia, é a proteção contra surtos. A nova norma torna obrigatória a adoção de Medidas de Proteção contra Surtos (MPS) não só para equipamentos que sustentam a vida ou serviços essenciais — agora chamados de equipamentos críticos —, mas também para equipamentos não críticos de prédios residenciais, comerciais e industriais, sempre que a frequência de dano calculada ultrapassar os valores de referência. Ou seja: o dispositivo de proteção contra surtos (DPS) deixa de ser item opcional em muitos projetos e vira exigência de norma.
- Projeto e laudo de para-raios anteriores a 2026, calculados com a antiga tabela de Ng
- Memorial que fala em “classe de SPDA” e não em “nível de proteção”
- Ausência de dispositivos de proteção contra surtos (DPS) no quadro elétrico
- Equipamentos eletrônicos queimando após tempestades sem causa aparente
- Última inspeção do sistema sem data recente ou sem ART de responsável técnico
- Captação e descidas sem laudo de continuidade e medição de aterramento
Esses sintomas costumam aparecer em dois momentos: na renovação do AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros), quando o vistoriador cobra laudo atualizado, e depois de um evento de descarga, quando equipamentos queimam e o seguro pede comprovação de que a proteção estava em dia. Nos dois casos, a conta chega junto com a exigência técnica.
Como adequar o projeto tecnicamente
Adequar uma edificação à NBR 5419 vigente não é comprar mais para-raios. É refazer o raciocínio técnico a partir da análise de risco, que é o coração da norma. O processo tem uma sequência clara.
- Levantamento da estrutura. Dimensões, altura, uso, tipo de cobertura, materiais e o que existe dentro do prédio (pessoas, equipamentos críticos, dados). Também se coleta o novo índice Ng do município conforme o mapa atualizado.
- Análise de risco (NBR 5419-2). Calcula-se a frequência de dano e compara-se com os valores de referência. É esse cálculo que define o nível de proteção necessário e se há obrigatoriedade de MPS para os equipamentos internos.
- Definição do nível de proteção (NP I a IV). Quanto maior o risco, mais fechada a malha de captação e mais rígidos os requisitos de descida e aterramento.
- Projeto do sistema de captação, descida e aterramento. Método de Franklin, gaiola de Faraday ou eletrogeométrico, com detalhamento de materiais — a norma passou a admitir aço cobreado na mesma bitola do cobre comum, o que reduz custo sem perder conformidade.
- Projeto das medidas de proteção contra surtos. Seleção e posicionamento de DPS nos quadros para proteger a instalação elétrica interna.
- Emissão da ART e execução. O engenheiro responsável registra a Anotação de Responsabilidade Técnica no CREA e acompanha a instalação e os ensaios de continuidade e de resistência de aterramento.
- Laudo e plano de inspeção. Documento que comprova a conformidade e define a periodicidade das inspeções seguintes.
Sobre a periodicidade, a NBR 5419 agora vincula o intervalo ao risco da estrutura: inspeções a cada 1 ano para estruturas de risco elevado e a cada 3 anos para as demais, além das inspeções após qualquer reforma ou evento relevante. Isso transforma o SPDA de “instala e esquece” em um sistema que exige manutenção documentada.
| Aspecto | Edição de 2015 | Edição de 2026 |
|---|---|---|
| Índice Ng | Séries históricas limitadas | Dados de satélite e sensores de solo por município |
| Terminologia | Classe de SPDA (I a IV) | Nível de proteção — NP (I a IV) |
| Proteção contra surtos | Foco em equipamentos essenciais | Obrigatória também para equipamentos não críticos acima do limite de dano |
| Materiais | Restrições de bitola para aço cobreado | Aço cobreado admitido na bitola do cobre |
| Inspeção | Periodicidade genérica | 1 ano (risco elevado) ou 3 anos, conforme risco |
Por que tratar agora: riscos legais, técnicos e financeiros
Adiar a adequação parece economia, mas concentra risco. Vale separar as três frentes.
- AVCB renovado sem pendência de laudo de SPDA
- Cobertura de seguro preservada em caso de descarga
- Equipamentos eletrônicos protegidos por DPS dimensionado
- Responsabilidade técnica documentada com ART
- Vistoria do bombeiro reprovada por laudo vencido
- Seguradora nega sinistro por falta de conformidade
- Perda de equipamentos e paralisação após tempestade
- Síndico ou proprietário exposto a responsabilização
No risco legal, a conformidade com a NBR 5419 é o que sustenta o AVCB e a defesa do responsável em caso de acidente. Um raio que causa incêndio ou danos com um sistema comprovadamente irregular transfere a responsabilidade para quem deixou de adequar. No risco técnico, a atualização do índice Ng significa que estruturas antes protegidas hoje podem estar subdimensionadas — o para-raios existe, mas não cobre o volume de descargas real da região. E no risco financeiro, o custo de um projeto de adequação é uma fração do prejuízo de um único evento que queima elevadores, centrais de incêndio, servidores e automação predial.
A revisão de 2026 mudou a pergunta central do projeto. Não é mais “existe para-raios?”, e sim “o nível de proteção corresponde ao risco real desta estrutura, medido com os dados atuais?”.
Quem pode assinar o projeto e a inspeção
Projeto de SPDA, análise de risco, laudo e inspeção são atividades privativas de engenheiro com atribuição na área elétrica, registrado no CREA. A formalização se dá pela ART — Anotação de Responsabilidade Técnica —, que vincula o profissional à obra e é o documento que o corpo de bombeiros, a seguradora e a Justiça reconhecem. Instalador sem ART entrega material, não conformidade normativa.
Como a GreenGold Engenharia entrega o SPDA
A GreenGold Engenharia projeta sistemas de proteção contra descargas atmosféricas dentro do escopo de instalações elétricas prediais, aplicando a edição vigente da NBR 5419 desde a análise de risco até o laudo e o plano de inspeção. São mais de 20 anos de operação, projetos em BIM e mais de 500 mil m² entregues, com coordenação que integra o SPDA aos projetos elétrico, hidráulico, de esgoto e de drenagem — evitando conflitos de aterramento, descidas e infraestrutura que costumam aparecer quando cada disciplina é tratada isoladamente.
A coordenação técnica é de Rafael Barcelar (CREA-MG 0000214181D), responsável pela revisão de cada entrega. O atendimento cobre quatro estados, com o registro de ART feito no CREA correspondente: Minas Gerais (Belo Horizonte e Região Metropolitana, com a Cemig como concessionária), São Paulo (Capital, Grande São Paulo e interior, área da Enel/EDP), Rio de Janeiro (Capital, Baixada e Região dos Lagos, com escritório na Barra da Tijuca e distribuição Light/Enel) e Espírito Santo (Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica, área da EDP ES).
Sobre valores: para residências e casos simples, o projeto de SPDA trabalha com faixa orientativa que depende da altura, da área e do nível de proteção resultante da análise de risco. Para edificações comerciais, multifamiliares, industriais e empreendimentos com múltiplas estruturas, o orçamento é elaborado sob consulta, após o levantamento técnico.
Perguntas frequentes
Meu prédio já tem para-raios instalado. Preciso mexer em alguma coisa?
Provavelmente sim. Se o projeto e o laudo são anteriores a 2026, eles usaram o antigo índice Ng e a antiga terminologia de classe. Com os dados de raios atualizados, muitas regiões passaram a exigir nível de proteção maior. Só uma nova análise de risco confirma se o sistema atual continua suficiente.
A proteção contra surtos (DPS) virou obrigatória mesmo em prédio comum?
A NBR 5419 exige as Medidas de Proteção contra Surtos sempre que a frequência de dano calculada ultrapassa os valores de referência — o que passou a alcançar equipamentos não críticos de edificações residenciais, comerciais e industriais. Não é regra automática para todo caso; é o cálculo da análise de risco que define.
De quanto em quanto tempo o SPDA precisa ser inspecionado?
Depende do risco da estrutura: a cada 1 ano para estruturas de risco elevado e a cada 3 anos para as demais, além de inspeções extraordinárias após reformas ou eventos relevantes. Cada inspeção deve gerar laudo com ART do responsável.
O SPDA é exigido para renovar o AVCB?
Na maioria dos casos, sim. O corpo de bombeiros cobra laudo de SPDA atualizado e compatível com a norma vigente na vistoria. Um laudo vencido ou com metodologia antiga é motivo comum de pendência na renovação.
Quem pode assinar o projeto e o laudo de SPDA?
Engenheiro com atribuição na área elétrica, registrado no CREA e com ART emitida para a atividade. É a ART que dá validade legal ao documento perante bombeiros, seguradoras e órgãos de fiscalização.
Aço cobreado no lugar de cobre reduz a proteção?
Não, quando dimensionado conforme a norma. A edição de 2026 passou a admitir o aço cobreado na mesma bitola exigida para o cobre, mantendo a conformidade e reduzindo custo de material — inclusive por ser menos visado por furto.
Fale com a engenharia responsável
Se o seu prédio tem para-raios antigo, AVCB para renovar ou equipamentos sensíveis a surtos, o primeiro passo é a análise de risco pela norma vigente. A GreenGold Engenharia projeta, calcula e emite ART para o SPDA em MG, SP, RJ e ES.
ou ligue (31) 97257-1347
Responsável técnico: Rafael Barcelar — Engenheiro Civil — CREA-MG 0000214181D. Coordenação e revisão técnica em MG, SP, RJ e ES.
Fontes: ABNT NBR 5419:2026 — Proteção contra descargas atmosféricas (partes 1 a 4); O Setor Elétrico — “A nova NBR 5419 chegou!” (2026); Termotécnica / TEL — “ABNT NBR 5419:2026: guia prático das mudanças em SPDA” (2026).

