Ligar o fogão, aquecer a água do chuveiro a gás ou abastecer uma cozinha industrial virou, na prática, uma questão de projeto de engenharia — não mais de improviso do instalador. Ao longo de 2025 e 2026, corpos de bombeiros e concessionárias apertaram a exigência: para aprovar o AVCB, ligar o medidor e regularizar a edificação, a rede interna precisa ser dimensionada segundo a ABNT NBR 15526:2016, com memorial de cálculo, teste de estanqueidade e a devida ART. Em São Paulo, a consolidação da IT 28/2025 do Corpo de Bombeiros para GLP reforçou esse caminho. Este texto explica o que mudou, como uma instalação de gás conforme é feita, e por que deixar isso para depois custa caro.
O que é a rede interna de gás e quando ela vira problema
Rede interna de distribuição de gases combustíveis é todo o caminho que o gás percorre depois do ponto de entrega da concessionária — ou da central de GLP — até cada aparelho: fogão, aquecedor de passagem, caldeira, secadora ou queimador industrial. Ela inclui tubulação, reguladores de pressão, medidores individuais, válvulas de bloqueio, respiros e o dimensionamento de cada trecho para que a pressão chegue correta a todos os pontos, mesmo com vários aparelhos ligados ao mesmo tempo.
A ABNT NBR 15526:2016 — “Redes de distribuição interna para gases combustíveis em instalações residenciais e comerciais: projeto e execução” — é a norma que rege o dimensionamento, a execução e o ensaio dessas redes para pressões de operação de até 150 kPa, cobrindo gás natural (GN) e GLP. Ela cancelou e substituiu a edição de 2012, que não deve mais ser usada.
O problema aparece quando essa rede é montada sem projeto. Sem cálculo de vazão e de perda de carga, o instalador “chuta” a bitola do tubo. O resultado costuma ser silencioso no início e perigoso depois: chama amarela no fogão, aquecedor que apaga sozinho, cheiro de gás em ambientes fechados, medidor que a concessionária se recusa a ligar. Em edificações multifamiliares e comerciais, a não conformidade só é descoberta na vistoria do Corpo de Bombeiros — quando a obra já está pronta e o retrabalho custa muito mais.
Sinais de que a instalação de gás está fora de norma
- Tubulação de gás embutida em parede sem tubo-luva ou passando por locais proibidos (poços de elevador, dutos de ventilação, dormitórios).
- Central de GLP sem afastamento mínimo de segurança, sem ventilação permanente ou sem proteção por extintores.
- Ausência de teste de estanqueidade documentado antes de liberar o gás.
- Aquecedor de passagem instalado em banheiro ou ambiente sem exaustão adequada dos produtos de combustão.
- Nenhum memorial de cálculo, planta isométrica ou ART arquivada — a concessionária e o bombeiro pedem esses documentos.
Se um ou mais desses itens aparece na sua edificação, a instalação de gás provavelmente não passará na vistoria — e, pior, representa risco real de vazamento, intoxicação por monóxido de carbono ou explosão.
Como se faz uma instalação de gás conforme a NBR 15526
Uma rede de gás bem projetada segue uma sequência técnica clara. Não é sobre “passar cano”: é sobre calcular, especificar e documentar cada decisão para que o sistema seja seguro por décadas. A edição de 2016 da norma organiza esse processo, e a IT 28/2025 do Corpo de Bombeiros de São Paulo complementa com as regras de segurança contra incêndio para a central de GLP.
- Levantamento da demanda. Somam-se as potências de todos os aparelhos (fogão, aquecedor, caldeira) para definir a vazão de projeto de cada trecho da rede.
- Definição da fonte. Gás natural canalizado da concessionária ou central de GLP com recipientes transportáveis (P13, P45) ou estacionários. A escolha define pressão, reguladores e afastamentos.
- Dimensionamento da tubulação. Calcula-se o diâmetro de cada trecho pela perda de carga admissível, garantindo pressão mínima em todos os aparelhos simultaneamente. Material conforme a norma: cobre, aço ou multicamada certificado.
- Traçado e proteção. Define-se o caminho da tubulação respeitando trechos proibidos, uso de tubo-luva em travessias e ventilação dos ambientes com aparelhos.
- Projeto da central de GLP. Localização, afastamentos mínimos, ventilação, sinalização e extintores conforme a IT 28/2025 e a NBR 13523.
- Teste de estanqueidade. A rede é pressurizada e verificada antes de liberar o gás. O ensaio é registrado no memorial.
- Documentação e ART. Memorial de cálculo, planta isométrica, teste e Anotação de Responsabilidade Técnica — o pacote que a concessionária e o bombeiro exigem para ligar o medidor e emitir o AVCB.
O gás quase sempre é a última disciplina lembrada — e é justamente a que trava o “habite-se” e o AVCB no fim da obra. Projetar a rede de gás junto com as instalações hidráulicas e elétricas, ainda na fase de projeto, elimina rasgos de parede depois de pronto e evita a corrida de última hora para regularizar antes da vistoria.
Gás natural x GLP: o que muda no projeto
| Critério | Gás Natural (GN) | GLP (botijão/central) |
|---|---|---|
| Fonte | Rede canalizada da concessionária | Recipientes transportáveis ou estacionários |
| Densidade | Mais leve que o ar (dissipa para cima) | Mais pesado que o ar (acumula no piso) |
| Ponto crítico de projeto | Ligação e medição com a concessionária | Central de GLP: afastamento, ventilação, extintores |
| Norma de segurança contra incêndio | Regras da concessionária e do Corpo de Bombeiros | IT 28/2025 (SP) e NBR 13523 para a central |
| Aplicação típica | Prédios em áreas com rede canalizada | Casas, condomínios e comércios sem rede |
Por que regularizar agora: riscos legais, técnicos e financeiros
Adiar o projeto de gás não faz o custo desaparecer — ele apenas migra para o pior momento. Há três frentes de risco que se acumulam enquanto a instalação de gás segue irregular.
- Concessionária não liga o medidor
- Bombeiro não emite o AVCB
- Risco de vazamento e explosão
- Responsabilidade recai sobre o proprietário
- Retrabalho com obra pronta e acabamento refeito
- Medidor liberado sem pendência
- AVCB aprovado na primeira vistoria
- Rede dimensionada e testada
- Responsabilidade técnica documentada
- Custo previsível, dentro do cronograma
No plano legal, uma instalação de gás sem responsável técnico deixa o proprietário ou o síndico exposto: em caso de acidente, a ausência de ART e de projeto conforme a norma pesa diretamente na apuração de responsabilidade. No plano técnico, tubulação subdimensionada e central de GLP mal posicionada são causas recorrentes de vazamento. No plano financeiro, refazer a rede depois do acabamento pronto — quebrando piso, parede e forro — costuma custar várias vezes o valor de ter feito o projeto certo desde o início.
Gás não perdoa improviso. A diferença entre uma rede segura e um acidente é, quase sempre, um cálculo de perda de carga que ninguém fez.
Quem pode assinar o projeto e a ART
O projeto de uma rede interna de gás e a respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica só podem ser assinados por profissional habilitado e registrado no CREA — tipicamente o engenheiro civil ou mecânico com atribuição em instalações prediais. Não é atribuição de instalador avulso nem de “gasista” sem registro: a assinatura técnica é o que dá validade legal ao documento perante a concessionária e o Corpo de Bombeiros.
Na prática, o profissional habilitado dimensiona a rede segundo a edição de 2016 da norma, especifica materiais certificados, projeta a central de GLP dentro das regras de segurança contra incêndio, acompanha o teste de estanqueidade e emite a ART. É esse conjunto — cálculo, execução conforme e documentação — que transforma a instalação em algo aprovável e seguro, não apenas funcional no dia da entrega.
Como a GreenGold Engenharia entrega o projeto de gás
A GreenGold Engenharia atua há mais de 20 anos em projetos de instalações prediais, com mais de 500 mil m² entregues e coordenação em ambiente BIM. O projeto de gás não entra como uma disciplina isolada: ele é compatibilizado com o hidráulico, o elétrico, o esgoto e a drenagem no mesmo modelo, o que evita interferências entre a tubulação de gás e as demais redes antes de qualquer parede subir. A coordenação técnica é de Rafael Barcelar (CREA-MG 0000214181D), responsável pela revisão de cada entrega.
A cobertura abrange os quatro estados onde a empresa opera, cada um com sua concessionária de gás, seu Corpo de Bombeiros e seu CREA:
- Minas Gerais (BH e Região Metropolitana) — distribuição da Gasmig, vistoria do CBMMG, registro no CREA-MG.
- São Paulo (Capital, Grande SP e interior) — Comgás e Naturgy, IT 28/2025 do CBPMESP, registro no CREA-SP.
- Rio de Janeiro (Capital, Baixada e Região dos Lagos, com escritório na Barra) — Naturgy RJ, COSCIP do CBMERJ, registro no CREA-RJ.
- Espírito Santo (Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica) — ES Gás, vistoria do CBMES, registro no CREA-ES.
Sobre valores: para residências e casos simples, o projeto de gás trabalha com faixa orientativa que depende do número de aparelhos, do tipo de gás (GN ou GLP) e da complexidade da central. Para edificações comerciais, multifamiliares, industriais e empreendimentos com cozinha profissional ou caldeira, o orçamento é elaborado sob consulta, a partir da análise da planta e da demanda de cada projeto.
Perguntas frequentes
Preciso de projeto para uma instalação de gás em casa?
Sim. Mesmo em residências, a rede deve seguir a NBR 15526:2016 e, no caso de GLP, as regras de segurança da central. Para ligar o medidor de gás natural ou regularizar a central de GLP, a concessionária e o Corpo de Bombeiros pedem projeto e ART.
Qual a diferença entre GN e GLP no projeto?
O gás natural vem canalizado da concessionária; o GLP vem de botijões ou de central estacionária. Como o GLP é mais pesado que o ar e se acumula no piso, o projeto exige atenção especial a afastamentos, ventilação e extintores na central, conforme a IT 28/2025 e a NBR 13523.
O que é o teste de estanqueidade?
É o ensaio que pressuriza a rede e verifica se há vazamentos antes de liberar o gás. É obrigatório pela norma e deve ser registrado no memorial. Nenhuma rede deve receber gás sem esse teste documentado.
Uma instalação antiga precisa ser adequada?
Se foi executada sem projeto, com a edição cancelada de 2012 ou com sinais de não conformidade (tubulação em local proibido, central sem ventilação), o recomendável é uma avaliação técnica. A adequação evita risco de acidente e destrava a regularização da edificação.
Quem pode assinar a ART do projeto de gás?
Engenheiro registrado no CREA com atribuição em instalações prediais. A ART é o documento que dá validade legal ao projeto perante a concessionária e o Corpo de Bombeiros e formaliza a responsabilidade técnica.
Fale com um engenheiro sobre seu projeto de gás
ou ligue (31) 97257-1347
Responsável técnico: Rafael Barcelar — Engenheiro Civil — CREA-MG 0000214181D
Fontes
- ABNT NBR 15526:2016 — Redes de distribuição interna para gases combustíveis em instalações residenciais e comerciais: projeto e execução (catálogo Target/ABNT).
- Corpo de Bombeiros da PMESP — Instrução Técnica IT 28/2025: Manipulação, armazenamento, comercialização e utilização de gás liquefeito de petróleo (GLP).
- ABNT NBR 13523 — Central de gás liquefeito de petróleo (GLP).

