A revisão da NBR 14039 — a norma que rege as instalações elétricas de média tensão de 1,0 kV a 36,2 kV — entrou na reta final e tem publicação prevista para o segundo semestre de 2026. A atualização, em andamento desde 2019, alinha o texto brasileiro às práticas internacionais da IEC 61936-1:2021 e mexe em pontos que afetam diretamente quem projeta a entrada de energia de prédios, condomínios, galpões e indústrias: correntes admissíveis dos cabos, conceitos de aterramento, testes de cabos, uso de transformadores de corrente com relés digitais e proteções adicionais por causa do avanço da geração distribuída. Para o síndico, o incorporador e o gestor predial, a mensagem é direta: subestação abrigada e cabine primária deixam de ser um detalhe da obra e passam a exigir projeto elétrico de média tensão assinado, com ART.
O que é a média tensão — e o que a revisão da NBR 14039 altera
Quando um empreendimento cresce, a rede secundária da rua não dá mais conta. A concessionária então entrega a energia em média tensão e transfere ao cliente a responsabilidade de construir e manter a subestação. A norma que descreve como isso deve ser feito — desde o dimensionamento dos cabos até os afastamentos de segurança e o aterramento — é a NBR 14039. Ela é a “prima” da NBR 5410 (baixa tensão): enquanto a 5410 cuida do que acontece depois do transformador, a de média tensão cuida da entrada, da proteção primária e da própria cabine.
A edição vigente é de 2005, com uma emenda de 2021 que corrigiu tabelas de corrente e denominações de aterramento. A revisão agora em curso é mais ampla. Segundo a Comissão de Estudos da ABNT, o objetivo foi atualizar conceitos sem quebrar a estrutura da norma, incorporando referências da IEC 61936-1:2021. Na prática, a nova edição mexe em cinco frentes principais.
- Correntes admissíveis dos cabos: correção de valores que estavam superdimensionados, o que altera a bitola dos condutores em vários projetos.
- Aterramento em MT: atualização de conceitos e denominações, alinhando a terminologia às normas internacionais.
- Testes de cabos: novo protocolo de ensaio, importante para comissionamento e para a segurança da energização.
- Transformadores de corrente e relés digitais (IEDs): novas orientações de uso, refletindo a modernização das proteções.
- Geração distribuída: requisitos adicionais de proteção diante do crescimento de usinas solares e cogeração conectadas em MT.
Sintomas de que a sua entrada está fora de conformidade
- Cabine primária sem projeto atualizado ou sem ART registrada no CREA.
- Cabos de MT dimensionados por tabelas antigas, hoje reconhecidas como superdimensionadas ou inadequadas.
- Aterramento sem laudo, sem medição de resistência de terra ou com terminologia defasada.
- Relés eletromecânicos antigos, sem coordenação de proteção documentada.
- Geração solar conectada na entrada sem estudo de proteção específico.
- Cabine sem placa de identificação, sem diagrama unifilar afixado e sem plano de manutenção.
Como projetar uma entrada em média tensão dentro da norma
Regularizar ou construir uma entrada em MT não é comprar equipamento e ligar. É um processo técnico com etapas encadeadas, cada uma amparada pela edição vigente da NBR 14039 e pelas normas da concessionária local. O caminho, em resumo, é o seguinte.
- Levantamento de carga e demanda: soma-se a carga instalada, aplica-se fator de demanda e define-se a potência do transformador da subestação.
- Consulta à concessionária: cada distribuidora (Cemig, Enel, Light, EDP e outras) tem norma própria de fornecimento em MT, que define ponto de entrega, tipo de medição e padrão de cabine.
- Dimensionamento dos cabos de MT: aqui entram as novas tabelas de corrente admissível da revisão — o dimensionamento correto evita tanto o subdimensionamento perigoso quanto o gasto excessivo.
- Projeto da cabine ou subestação: arranjo físico, afastamentos de segurança, ventilação, proteção contra incêndio e acessos, conforme a norma de média tensão.
- Coordenação e seletividade da proteção: definição de relés, fusíveis e disjuntores para que uma falha seja isolada no ponto certo, sem desligar toda a instalação.
- Projeto de aterramento: malha de terra dimensionada e, depois, medida em campo para comprovar a resistência.
- Diagrama unifilar, memorial e ART: a documentação técnica que a concessionária exige para aprovar e energizar.
- Comissionamento: ensaios dos cabos e equipamentos antes da energização, seguindo os novos protocolos de teste.
| Aspecto | Antes (edição vigente) | Depois (revisão 2026) |
|---|---|---|
| Referência internacional | Base mais antiga | Alinhada à IEC 61936-1:2021 |
| Correntes admissíveis dos cabos | Valores parcialmente superdimensionados | Tabelas corrigidas |
| Aterramento | Denominações antigas | Conceitos e nomenclatura atualizados |
| Proteções | Foco em relés convencionais | Orientações para IEDs e geração distribuída |
| Ensaios de cabos | Protocolo anterior | Novo protocolo de teste |
Por que tratar agora: riscos legais, técnicos e financeiros
Deixar a entrada em MT desatualizada não é uma questão apenas burocrática. A média tensão concentra energia suficiente para causar arco elétrico, incêndio e morte. E a responsabilidade, quando algo dá errado, é do proprietário e do responsável técnico — não da concessionária, que entrega no ponto de medição.
- Energização aprovada pela concessionária
- Proteção coordenada e seletiva
- ART registrada, seguro válido
- Cabos dimensionados corretamente
- Reprovação e atraso na ligação
- Risco de arco elétrico e incêndio
- Responsabilidade civil e criminal
- Seguro negado em caso de sinistro
Risco legal: instalação de MT sem projeto e sem ART é obra sem responsável técnico, o que expõe o proprietário a autuações e à responsabilização em caso de acidente. Risco técnico: cabos subdimensionados aquecem, proteções descoordenadas propagam falhas e aterramento inadequado deixa carcaças energizadas. Risco financeiro: além da multa e do custo de refazer, uma seguradora costuma negar a cobertura de sinistro elétrico quando não há projeto e laudos que comprovem conformidade com a norma vigente.
Na média tensão, o erro não avisa. Quando o cabo aquece ou a proteção não abre, o resultado é arco elétrico — e não há segunda chance. O projeto é o que separa uma cabine segura de um acidente grave.
Quem pode assinar o projeto de média tensão
Projeto de instalação elétrica de média tensão é atividade privativa de engenheiro eletricista ou engenheiro com atribuição em eletrotécnica, registrado no CREA. Não é tarefa de instalador, de técnico sem supervisão ou de “profissional de confiança da obra”. A cada projeto corresponde uma ART — Anotação de Responsabilidade Técnica, que vincula o nome e o registro do engenheiro àquela subestação. É a ART que a concessionária exige, é ela que dá validade jurídica ao trabalho e é ela que a seguradora procura depois de um sinistro. Sem engenheiro habilitado e sem ART, não há projeto de MT que se sustente perante a NBR 14039.
Como a GreenGold Engenharia entrega o projeto elétrico de média tensão
A GreenGold Engenharia é uma empresa de engenharia multidisciplinar com mais de 20 anos de operação e mais de 500 mil m² de instalações prediais entregues, projetando em BIM. Na frente elétrica, isso inclui desde a instalação de baixa tensão coberta pela NBR 5410 até a entrada em média tensão regida pela NBR 14039: levantamento de carga, dimensionamento da subestação, projeto de cabine, coordenação de proteção, aterramento, diagrama unifilar, memorial e ART registrada no CREA. A coordenação técnica é de Rafael Barcelar (CREA-MG 0000214181D), responsável pela revisão de cada entrega.
O atendimento cobre quatro estados, sempre respeitando a norma da concessionária local. Em Minas Gerais (Belo Horizonte e região metropolitana), o fornecimento em MT segue o padrão da Cemig, com CREA-MG. Em São Paulo (Capital, Grande SP e interior), o projeto atende as normas da Enel e demais distribuidoras, sob CREA-SP. No Rio de Janeiro (Capital, Baixada e Região dos Lagos, com escritório na Barra), a referência é a Light/Enel, sob CREA-RJ. No Espírito Santo (Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica), o padrão é o da EDP, sob CREA-ES. Coordenação e revisão técnica em MG, SP, RJ e ES.
Sobre valores: para casos simples e de menor porte, o projeto elétrico trabalha com faixa orientativa que depende da potência da subestação, do tipo de cabine e das exigências da concessionária. Para edificações comerciais, multifamiliares, industriais e empreendimentos com geração distribuída, o orçamento é elaborado sob consulta, após o levantamento da carga e do ponto de entrega.
Perguntas frequentes sobre a NBR 14039 e a média tensão
Qual a diferença entre a NBR 14039 e a NBR 5410?
A NBR 5410 trata das instalações de baixa tensão (até 1.000 V), ou seja, o que acontece depois do transformador. A norma de média tensão cuida da entrada de energia entre 1,0 kV e 36,2 kV: cabine primária, subestação, cabos e proteção primária. Empreendimentos de grande porte usam as duas.
Quando o meu prédio precisa de entrada em média tensão?
Quando a demanda ultrapassa o limite que a concessionária atende em baixa tensão — algo em torno de 75 kW em vários padrões. A partir daí, a distribuidora entrega em MT e exige subestação com projeto e ART.
A revisão de 2026 já está valendo?
A publicação da nova edição está prevista para o segundo semestre de 2026. Até lá vale a edição atual, com a emenda de 2021. Mesmo assim, projetar já considerando os novos conceitos evita retrabalho na hora de energizar.
Preciso de ART para a subestação?
Sim. Todo projeto e execução de instalação de média tensão exige ART registrada no CREA por engenheiro habilitado. A concessionária não energiza sem essa documentação, e a seguradora a exige em caso de sinistro.
Tenho geração solar. Muda alguma coisa na média tensão?
Sim. A revisão traz requisitos adicionais de proteção por causa da geração distribuída. Usinas conectadas em MT precisam de estudo de proteção específico para não injetar energia de forma insegura na rede.
A GreenGold atende fora de Minas Gerais?
Sim. Além de MG, a GreenGold atua em São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, sempre seguindo a norma da concessionária local e com registro no CREA do estado.
ou ligue (31) 99742-0166
Responsável técnico: Rafael Barcelar — Engenheiro Civil — CREA-MG 0000214181D
Fontes
- O Setor Elétrico — “Com publicação prevista para 2026, revisão da ABNT NBR 14039 incorpora padrões internacionais à norma” (2026).
- ABNT — NBR 14039: Instalações elétricas de média tensão de 1,0 kV a 36,2 kV; e IEC 61936-1:2021.

