Nova ferramenta gratuita: Calculadora de Carga Elétrica Residencial (NBR 5410) Calcular agora → ×

Redata: o regime aprovado no Senado cobra 0,05 litro de água por kWh dos data centers — e o que isso muda no projeto elétrico e hidráulico

Banner sobre o Redata e a exigência de eficiência hídrica em data centers

O Senado aprovou em 1º de setembro de 2026 o PL 278/2026, que cria o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter — o Redata. O texto seguiu para sanção presidencial e suspende, por cinco anos, Imposto de Importação, PIS/Cofins, PIS/Cofins-Importação e IPI sobre equipamentos destinados a instalar ou ampliar centros de processamento de dados no Brasil. A renúncia estimada pelo governo é de cerca de R$ 5,2 bilhões em 2026. O que passou quase em silêncio no noticiário econômico, porém, é a parte que recai sobre a engenharia: para manter o benefício, a empresa precisa comprovar Índice de Eficiência Hídrica igual ou inferior a 0,05 litro de água por kWh no resfriamento dos equipamentos, medido anualmente, e honrar toda a demanda contratual de energia elétrica com contratos de suprimento ou autoprodução a partir de fontes renováveis ou de baixa emissão. Em outras palavras: o Redata transformou desempenho hidráulico e elétrico em condição de sobrevivência fiscal do empreendimento.

O que o Redata exige fisicamente de um data center

Definição

O Redata é um regime de tributação que suspende tributos federais na aquisição de equipamentos de TI para data centers, condicionado a contrapartidas mensuráveis de mercado interno, energia e água. Não é um incentivo automático: a habilitação depende de autorização do Ministério da Fazenda e a manutenção do benefício depende de indicadores verificados ano a ano.

Quem lê o regime apenas pela ótica tributária vê uma lista de tributos suspensos. Quem lê pela ótica de engenharia vê algo diferente: um conjunto de metas físicas que precisam estar resolvidas em projeto, antes da primeira concretagem. São cinco compromissos principais assumidos pela empresa habilitada.

  1. Direcionar ao mercado interno pelo menos 10% do processamento, armazenagem e tratamento de dados efetivamente instalado.
  2. Atender critérios de sustentabilidade a serem detalhados em regulamento.
  3. Honrar toda a demanda contratual de energia elétrica, com contratos de suprimento ou autoprodução a partir de fontes limpas, renováveis ou de baixa emissão.
  4. Apresentar Índice de Eficiência Hídrica para resfriamento dos equipamentos igual ou inferior a 0,05 litro de água por kWh, medido anualmente.
  5. Investir no país o equivalente a 2% do valor dos produtos comprados no mercado interno ou importados com o benefício.

Para empreendimentos instalados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, ou na área de abrangência das agências de desenvolvimento regional, os percentuais de 10% e 2% caem para 8% e 1,6%. A meta de água, porém, não tem desconto regional. Ela é a mesma em Belo Horizonte, em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Vitória. E é ela que mais depende de decisão de projeto.

Por que 0,05 L/kWh é um número exigente

O indicador de água usado internacionalmente no setor é o WUE (Water Usage Effectiveness), expresso justamente em litros de água por quilowatt-hora de energia consumida pela carga de TI. Sistemas de resfriamento evaporativo — torres de arrefecimento abertas, resfriadores adiabáticos, umidificação por spray — consomem água por evaporação e por purga, e ficam com folga acima desse patamar em clima quente. Arquiteturas de circuito fechado, com chillers a ar, condensação a ar ou resfriamento líquido direto ao chip em loop selado, conseguem operar perto de zero consumo hídrico, ao custo de mais energia elétrica e mais carga instalada. Ou seja: a meta de água empurra o projeto para uma solução que aumenta a demanda elétrica, e a exigência de honrar toda a demanda contratual com fonte renovável empurra de volta para a eficiência. O ponto de equilíbrio entre os dois indicadores é um exercício de projeto multidisciplinar, não uma escolha de catálogo.

Sinais de que o empreendimento não vai fechar o indicador
  • Sistema de climatização especificado antes de existir memória de cálculo de carga térmica por sala e por rack.
  • Torre de arrefecimento aberta adotada por custo inicial, sem cálculo de evaporação, purga e ciclos de concentração.
  • Ausência de medição setorizada de água — sem hidrômetros dedicados ao resfriamento, o índice anual não é auditável.
  • Reservatório de reserva técnica dimensionado sem considerar autonomia de resfriamento em falha de abastecimento.
  • Descarte de purga e de rejeito de osmose lançado na rede pública sem caracterização de efluente.
  • Demanda contratada definida por estimativa de projeto básico, sem estudo de expansão modular de carga.
  • Área impermeabilizada ampliada sem compensação de drenagem aprovada pelo município.
  • Projetos de disciplinas contratados isoladamente, sem compatibilização em modelo único.

Como atender aos indicadores: projeto elétrico, hidráulico, esgoto e drenagem

Atender às contrapartidas do novo regime é, na prática, um trabalho de quatro disciplinas conversando entre si desde o estudo preliminar. A sequência abaixo é a que reduz retrabalho.

  1. Carga térmica e carga elétrica na mesma planilha. Em um data center, toda a potência elétrica entregue ao rack volta como calor. O projeto começa pelo levantamento de densidade por rack (kW/rack), fator de simultaneidade e perfil de crescimento, porque esse número define simultaneamente a subestação, o grupo gerador, o UPS e a capacidade de rejeição de calor.
  2. Escolha da arquitetura de resfriamento com base no indicador, não no preço do equipamento. Circuito fechado, resfriamento líquido direto ao chip, economizadores a ar e sistemas híbridos que só usam evaporação em picos de temperatura externa são as rotas compatíveis com 0,05 L/kWh. Cada rota tem consequência direta no projeto hidráulico e na potência instalada.
  3. Projeto hidráulico com água tratada e água de reposição separadas. Circuitos de resfriamento exigem controle de dureza, condutividade e biofilme. Isso significa estação de tratamento própria, filtração, dosagem e, em muitos casos, osmose reversa — tudo com balanço de massa documentado, porque é dele que sai o número do índice anual.
  4. Medição e telemetria como requisito de projeto. O índice é medido anualmente e entra em relatório de sustentabilidade público. Hidrômetros dedicados, medidores de energia na carga de TI e integração com o sistema de automação precisam estar no projeto executivo, com pontos de medição definidos em planta e no modelo.
  5. Projeto de esgoto com caracterização de efluente industrial. Purga de torre, rejeito de osmose e regeneração de resinas não são esgoto doméstico. O lançamento precisa de enquadramento junto à concessionária local e, conforme a carga, de tratamento prévio — item que costuma aparecer tarde e travar o habite-se.
  6. Drenagem com compensação de vazão. Galpões de data center criam grandes áreas impermeabilizadas. O projeto de drenagem precisa dimensionar reservatório de amortecimento, dispositivos de infiltração e destino final conforme o plano diretor de drenagem do município, sob pena de indeferimento do alvará.
  7. Elétrico: confiabilidade e origem da energia. Redundância N+1 ou 2N, seletividade de proteções, estudo de curto-circuito, coordenação com a distribuidora, SPDA conforme a ABNT NBR 5419 e — ponto novo trazido pelo regime — a demonstração contratual de que toda a demanda é suprida por fonte renovável ou de baixa emissão, o que normalmente implica autoprodução, geração distribuída remota ou contrato no mercado livre.
  8. Compatibilização em BIM e entrega do as built informacional. Interferência entre tubulação de resfriamento, barramento elétrico, eletrocalha e rede de incêndio é a principal causa de atraso em obra de data center. Modelo federado resolve em projeto o que custaria semanas de obra.
Exigência do regimeDisciplina responsávelEntregável que comprova
Índice de Eficiência Hídrica ≤ 0,05 L/kWhHidráulico + climatizaçãoBalanço de massa, memorial de resfriamento, plano de medição
Demanda 100% de fonte renovável ou de baixa emissãoElétricoEstudo de demanda, projeto de conexão, parecer de acesso
Relatório anual de sustentabilidadeTodasTelemetria integrada e base de dados de medição
Critérios de sustentabilidade do regulamentoTodasMemoriais e modelo BIM com dados de ativo
Licenciamento municipal da edificaçãoDrenagem + esgotoProjeto aprovado de drenagem e de lançamento de efluente
Projeto integrado desde o estudo preliminar
  • Indicador de água definido antes da escolha do equipamento
  • Subestação e rejeição de calor dimensionadas no mesmo cenário de carga
  • Medição setorizada prevista em planta
  • Efluente caracterizado e aceito pela concessionária
  • Relatório anual alimentado automaticamente pela automação
Disciplinas contratadas em separado
  • Torre aberta escolhida por custo e índice inatingível
  • Demanda subdimensionada e obra de reforço a meio caminho
  • Sem hidrômetro dedicado, índice não auditável
  • Purga recusada pela concessionária depois da obra pronta
  • Relatório montado à mão, sem rastreabilidade

Por que tratar agora: o benefício suspenso vira dívida com juros

A engenharia do prazo é mais dura que a engenharia do equipamento. O texto aprovado é explícito: se a empresa habilitada não cumprir os compromissos no prazo estipulado, deverá pagar os tributos suspensos com juros e multa de mora. A suspensão só se converte em isenção definitiva após o cumprimento dos compromissos e a entrega final dos produtos. No caso específico do descumprimento da cota de 10% de processamento destinada ao mercado brasileiro, o benefício é suspenso para novas compras e, passados 180 dias da notificação sem correção, a habilitação é cancelada automaticamente.

Um indicador que é medido anualmente e publicado em relatório deixa de ser meta de operação e passa a ser requisito de projeto. Não existe ajuste de comissionamento que corrija uma arquitetura de resfriamento escolhida errado.

Há três camadas de risco empilhadas. A primeira é fiscal: tributo suspenso é passivo contingente no balanço até a conversão em isenção, e o auditor vai pedir a memória de cálculo do índice hídrico. A segunda é regulatória local: drenagem e lançamento de efluente são competência municipal e da concessionária, e um data center reprovado nesses itens não obtém habite-se, independentemente do regime federal. A terceira é técnica e silenciosa: retrofit de sistema de resfriamento em instalação em operação exige parada, e parada em um data center em operação tem custo contratual por minuto.

Insight estratégico

O regulamento que vai detalhar os critérios de sustentabilidade ainda será publicado. Quem estruturar o projeto agora com balanço hídrico documentado, medição setorizada e modelo BIM com dados de ativo terá o acervo pronto para responder a qualquer nível de detalhe que o regulamento exigir. Quem esperar o regulamento para começar o projeto vai negociar prazo de obra com norma já em vigor.

Quem pode assinar o projeto e responder pelos indicadores

Projeto de instalações prediais e de infraestrutura de data center é atividade privativa de engenheiro legalmente habilitado, com registro ativo no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do estado onde a obra acontece. Cada disciplina — elétrica, hidráulica, esgoto, drenagem — exige Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) registrada no CREA, vinculada ao contrato e à obra. A ART não é burocracia: é o documento que individualiza quem responde tecnicamente pelo dimensionamento, e é ela que sustenta a memória de cálculo diante de auditoria fiscal, de perícia judicial e da própria concessionária.

Três cuidados práticos na contratação. Primeiro, confirme registro ativo do profissional e da empresa no CREA do estado da obra — CREA-MG, CREA-SP, CREA-RJ ou CREA-ES, conforme o caso. Segundo, exija ART por disciplina, não uma ART genérica de projeto. Terceiro, exija a memória de cálculo como entregável contratual, incluindo o balanço hídrico do sistema de resfriamento; sem ela, o índice anual exigido pelo regime não tem lastro técnico. Projeto sem memória de cálculo é desenho, não projeto.

Como a GreenGold Engenharia entrega projetos de data center e infraestrutura crítica

A GreenGold Engenharia é uma empresa de engenharia multidisciplinar com mais de 20 anos de operação e cerca de 500 mil m² de área projetada e entregue, atuando com projetos elétricos, hidráulicos, de esgotamento sanitário e de drenagem desenvolvidos integralmente em BIM. Para empreendimentos que pretendem se habilitar ao novo regime, o pacote de trabalho parte do levantamento de carga por rack e do balanço hídrico do resfriamento, e só então define arquitetura de climatização, subestação, geração de emergência, reserva técnica de água e destino de efluente — nessa ordem, porque é a ordem que permite fechar os dois indicadores simultaneamente.

A coordenação técnica é de Rafael Barcelar (CREA-MG 0000214181D), responsável pela revisão de cada entrega.

O atendimento cobre quatro estados, com a interlocução específica de cada concessionária e de cada conselho regional. Em Minas Gerais — Belo Horizonte e região metropolitana — os projetos dialogam com Cemig no elétrico e Copasa no hidráulico e esgoto, com ART no CREA-MG. Em São Paulo — capital, Grande São Paulo e interior — com Enel São Paulo e demais distribuidoras, Sabesp e operadoras regionais, e registro no CREA-SP. No Rio de Janeiro — capital, Baixada e Região dos Lagos, com escritório na Barra da Tijuca — com Light, Cedae e as concessionárias do bloco Águas do Rio, e ART no CREA-RJ. No Espírito Santo — Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica — com EDP Espírito Santo e Cesan, com registro no CREA-ES. Em todos os casos, o modelo BIM é entregue federado, com as informações de ativo necessárias para alimentar a telemetria e o relatório anual de sustentabilidade previsto no regime.

Sobre orçamento: para residências e casos simples, o projeto de instalações trabalha com faixa orientativa que depende de área construída, número de pontos e disciplinas envolvidas. Para edificações comerciais, multifamiliares, industriais e empreendimentos de missão crítica como data centers, com carga elétrica concentrada, resfriamento dedicado e indicadores auditáveis, o orçamento é elaborado sob consulta, a partir do levantamento de carga e do porte da instalação.

Perguntas frequentes

O Redata já está em vigor?

O PL 278/2026 foi aprovado pelo Senado em 1º de setembro de 2026, sem alterações de mérito, e seguiu para sanção presidencial. Parte das contrapartidas, como os critérios de sustentabilidade, ainda depende de regulamento. Os dois indicadores físicos centrais — eficiência hídrica de 0,05 litro por kWh e suprimento integral por fonte renovável ou de baixa emissão — já constam do texto aprovado e devem orientar o projeto desde agora.

Data center pequeno, dentro de um prédio corporativo, também precisa desses indicadores?

Os indicadores são condição para a habilitação ao regime tributário, ou seja, valem para quem quer o benefício fiscal. Uma sala de dados corporativa que não pleiteia o incentivo não está obrigada a comprovar o índice. Ainda assim, o dimensionamento de carga térmica, a redundância elétrica e a reserva técnica de água seguem sendo exigências de projeto e de norma, independentemente do regime.

É possível atingir 0,05 L/kWh com torre de arrefecimento?

Com torre aberta operando em regime evaporativo contínuo, dificilmente. O consumo por evaporação e purga costuma colocar o índice bem acima desse patamar em clima brasileiro. As rotas viáveis passam por circuito fechado, condensação a ar, resfriamento líquido direto ao chip ou sistemas híbridos que acionam a evaporação apenas em horas de temperatura extrema. A comprovação exige balanço de massa com dados climáticos locais.

A purga do sistema de resfriamento pode ser lançada na rede de esgoto?

Depende da caracterização do efluente e das regras da concessionária local. Purga de torre e rejeito de osmose têm concentração de sais e, frequentemente, resíduo de produtos de condicionamento — não se enquadram como esgoto doméstico. O projeto de esgotamento precisa prever amostragem, enquadramento e, quando necessário, tratamento prévio antes do ponto de lançamento.

Quem emite a ART do projeto de um data center?

Cada disciplina tem responsável próprio: o engenheiro eletricista ou civil habilitado para o projeto elétrico, e o engenheiro habilitado para hidráulico, esgoto e drenagem. Todas as ARTs são registradas no CREA do estado da obra e vinculadas ao contrato. A coordenação de projetos pode ter ART específica de coordenação, o que é recomendável em empreendimentos com muitas interfaces.

Por que o BIM importa nesse tipo de obra?

Porque a densidade de instalações por metro cúbico é alta: tubulação de resfriamento, barramento, eletrocalha, rede de incêndio e dutos disputam o mesmo espaço. O modelo federado antecipa a detecção de interferências e, no caso do regime, ainda serve como base de dados de ativo para alimentar a telemetria e o relatório anual de indicadores.

Fale com o responsável técnico

Solicitar projeto elétrico e hidráulico de data center — GreenGold Engenharia

ou ligue (31) 99742-0166

Responsável técnico: Rafael Barcelar — Engenheiro Civil — CREA-MG 0000214181D

Fontes

Belo Horizonte

Rio de Janeiro