A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) confirmou, em seu Boletim de Normas Técnicas de julho e agosto de 2026, que a ABNT colocou em Consulta Nacional a minuta da NBR 17310 — “Estruturas de suportes para sistemas fotovoltaicos de solo: diretrizes e orientações”, sob responsabilidade da Comissão de Estudo Especial ABNT/CEE-253. É a primeira norma brasileira dedicada exclusivamente à estrutura metálica que sustenta os módulos em usinas fotovoltaicas de solo — hoje projetada com base em normas gerais de estruturas de aço e fundações, sem um documento técnico específico para as cargas e a geometria desse tipo de instalação. Com a consulta encerrada em 17 de agosto, o texto segue para as etapas finais de aprovação, e projetistas que atuam com geração de solo já precisam entender o que muda no projeto estrutural e na interface com o projeto elétrico.
O que é a NBR 17310 e por que ela surgiu
Uma usina fotovoltaica de solo — também chamada de usina de geração centralizada ou, quando conectada em média tensão, empreendimento Tipo III — é sustentada por uma estrutura metálica cravada ou apoiada diretamente no terreno, diferente de um sistema residencial fixado em telhado. Essa estrutura de suporte responde por parte relevante do custo e do risco da obra: ela precisa resistir a vento, a variações de temperatura, ao peso dos módulos e, em sistemas com rastreador solar (tracker), a esforços dinâmicos de rotação. Até a minuta da NBR 17310 entrar em consulta, não existia uma norma ABNT dedicada a esse componente. O projetista combinava a NBR 8800 (estruturas de aço), a NBR 6122 (projeto e execução de fundações), a NBR 6123 (forças devidas ao vento) e a NBR 16690 (instalações elétricas de arranjos fotovoltaicos) — que trata do lado elétrico da instalação, não da estrutura que sustenta os módulos.
A NBR 17310 é o projeto de norma da ABNT/CEE-253 que trata das diretrizes e orientações para estruturas de suporte de sistemas fotovoltaicos instalados diretamente no solo, cobrindo desde a interação com a fundação até a fixação dos módulos, sem substituir as normas gerais de estruturas de aço, fundações e instalações elétricas que continuam a se aplicar em conjunto.
A ausência de uma norma específica tinha consequência prática: cada fabricante de estrutura de suporte (racking) adotava seus próprios critérios de dimensionamento, muitas vezes validados apenas em ensaios internos ou em normas estrangeiras adaptadas. Em usinas de grande porte — que somam dezenas de milhares de estruturas idênticas repetidas ao longo do terreno — uma folga de segurança mal calculada em um único perfil se multiplica por todo o campo fotovoltaico. A criação da NBR 17310 acompanha o crescimento acelerado da geração de solo no Brasil: segundo a Aneel, os empreendimentos de minigeração distribuída (75 kW a 5 MW) e a geração centralizada Tipo III já somam dezenas de gigawatts instalados, volume que justifica um documento técnico próprio para a estrutura de suporte, hoje tratada como item genérico de contrato EPC.
Como a norma organiza o projeto estrutural da usina de solo
A minuta da NBR 17310, por ser uma norma de diretrizes e orientações, não substitui o cálculo estrutural detalhado — ela organiza os critérios que esse cálculo precisa considerar e uniformiza a linguagem entre projetista, fabricante da estrutura e instalador. Na prática, o projeto de uma estrutura de suporte para usina de solo passa pelas seguintes etapas, hoje já seguidas pelos projetistas mais criteriosos e que a norma tende a tornar exigência formal:
- Levantamento topográfico e sondagem geotécnica do terreno, para definir a capacidade de carga do solo e o tipo de fundação (estaca cravada, hélice contínua ou bloco de concreto).
- Definição da geometria da estrutura — fixa, com inclinação única, ou com rastreador solar de um ou dois eixos — considerando sombreamento entre fileiras e espaçamento mínimo.
- Cálculo das cargas de vento conforme a NBR 6123, incluindo o efeito de sucção nas bordas do campo fotovoltaico, historicamente subestimado em projetos genéricos.
- Dimensionamento estrutural dos perfis metálicos conforme a NBR 8800, com especificação do tratamento anticorrosivo (geralmente galvanização a fogo) compatível com a vida útil de 25 a 30 anos do sistema.
- Compatibilização com o projeto elétrico: caminho de cabos, pontos de aterramento e equipotencialização da própria estrutura metálica, que deve ser integrada ao sistema de aterramento da usina.
- Emissão do memorial de cálculo estrutural e da ART do responsável técnico, documentos exigidos pelo financiador e pela concessionária no ato da vistoria de conexão.
- Dimensionamento do fabricante, sem verificação local de vento e solo
- Fundação padronizada, sem sondagem do terreno específico
- Sem memorial de cálculo assinado por engenheiro
- Aterramento da estrutura resolvido de forma improvisada em campo
- Cálculo de vento e fundação específicos para o terreno da usina
- Sondagem geotécnica prévia e fundação dimensionada por engenheiro
- Memorial de cálculo e ART do responsável técnico
- Aterramento da estrutura projetado em conjunto com o SPDA e o projeto elétrico
| Item do projeto | Prática sem norma específica | Prática alinhada à NBR 17310 |
|---|---|---|
| Fundação | Padrão de catálogo do fabricante | Dimensionada a partir de sondagem do terreno |
| Cargas de vento | Estimativa genérica | Cálculo conforme NBR 6123, com efeito de borda |
| Corrosão | Critério do fornecedor | Tratamento especificado para a vida útil da usina |
| Aterramento da estrutura | Resolvido isoladamente em obra | Compatibilizado com o projeto elétrico e o SPDA |
| Documentação | Ficha técnica do fabricante | Memorial de cálculo e ART |
Usinas em fase de projeto básico agora — mesmo antes da publicação definitiva da NBR 17310 — ganham ao adotar as diretrizes da minuta desde já: evitam redesenho da fundação e da estrutura quando a norma for formalmente publicada e passar a ser exigida por financiadores e seguradoras do setor solar.
A estrutura de suporte não é acessório da usina fotovoltaica de solo — ela é a fundação técnica e financeira do empreendimento, porque qualquer falha nela compromete módulos, cabos e a geração por anos.
Por que tratar isso agora
O primeiro risco é técnico: uma estrutura de suporte subdimensionada para o vento local ou apoiada em fundação incompatível com o solo pode sofrer recalque, deformação ou colapso parcial — falhas já registradas no setor em usinas construídas sem sondagem geotécnica prévia. Esse tipo de falha compromete módulos, cabeamento e a geração de energia, com custo de reparo muito superior ao investimento inicial em projeto estrutural adequado.
O segundo risco é financeiro. Usinas fotovoltaicas de solo, sobretudo as de geração centralizada e minigeração Tipo III, dependem de financiamento bancário e de seguro operacional (O&M). Bancos e seguradoras já exigem memorial de cálculo estrutural e ART como condição para liberar crédito ou emitir apólice — e tendem a adotar a NBR 17310 como referência técnica assim que ela for publicada, tornando retroativamente mais difícil financiar ou segurar uma usina construída sem essa documentação.
O terceiro risco é o de retrabalho. Projetos que hoje ignoram sondagem geotécnica, cálculo de vento específico e compatibilização com o aterramento elétrico tendem a precisar de revisão estrutural quando a norma for exigida formalmente pela concessionária ou pelo agente financeiro — revisão que custa mais e atrasa mais do que fazer o projeto certo na primeira vez.
- Fundação especificada sem sondagem do terreno da usina
- Ausência de memorial de cálculo estrutural assinado por engenheiro
- Estrutura de catálogo genérico, sem verificação de vento local
- Aterramento da estrutura resolvido separadamente do projeto elétrico
- Ausência de ART específica para o projeto estrutural da usina
Quem pode assinar esse projeto
O projeto estrutural de uma usina fotovoltaica de solo exige engenheiro civil ou engenheiro eletricista com atribuição para estruturas e fundações, registro ativo no CREA e Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) recolhida antes do início da obra. Como a estrutura de suporte se conecta diretamente ao sistema de aterramento e ao SPDA da usina, o ideal é que o mesmo escritório — ou uma equipe multidisciplinar coordenada — responda tanto pelo projeto estrutural quanto pelo projeto elétrico, evitando a divergência entre o ponto de aterramento previsto na estrutura e o que o projeto elétrico efetivamente exige.
Para residências e minigeração de pequeno porte, o projeto estrutural trabalha com faixa orientativa que depende do tipo de solo, da potência instalada e da configuração da estrutura (fixa ou com rastreador). Para usinas comerciais, centralizadas e empreendimentos Tipo III, com múltiplas fileiras de estrutura e fundação específica por ponto de apoio, o orçamento é elaborado sob consulta, após o levantamento topográfico e a sondagem geotécnica do terreno.
Como a GreenGold Engenharia entrega esse projeto
A GreenGold Engenharia atua há mais de 20 anos em projetos prediais e de infraestrutura, com mais de 500 mil m² entregues e metodologia BIM para compatibilizar disciplinas antes da obra começar. No projeto de estruturas de suporte para usinas fotovoltaicas de solo, essa compatibilização é o ponto que mais evita retrabalho: o modelo BIM cruza o projeto estrutural (fundação, perfis metálicos, geometria das fileiras) com o projeto elétrico (strings, caminho de cabos, aterramento e SPDA) antes da emissão dos memoriais finais, identificando conflitos que só apareceriam em obra.
A coordenação técnica é de Rafael Barcelar (CREA-MG 0000214181D), responsável pela revisão de cada entrega. A equipe atende usinas e projetos prediais em Minas Gerais (Belo Horizonte e Região Metropolitana), São Paulo (Capital, Grande SP e interior), Rio de Janeiro (Capital, Baixada e Lagos, com escritório na Barra da Tijuca) e Espírito Santo (Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica), articulando o projeto estrutural da usina com as exigências das concessionárias e dos CREAs regionais de cada estado.
Empreendedores que já contratam sondagem geotécnica e projeto estrutural alinhado às diretrizes da NBR 17310 chegam à etapa de financiamento com a documentação que bancos e seguradoras vão passar a exigir como padrão de mercado, sem depender de revisão de última hora.
Perguntas frequentes
A NBR 17310 já está em vigor?
Não. A minuta esteve em Consulta Nacional da ABNT, com prazo encerrado em 17 de agosto de 2026, sob responsabilidade da Comissão ABNT/CEE-253. Depois da consulta, o texto segue para as etapas de análise das contribuições e votação antes de virar norma publicada — mas o setor já trata a minuta como referência técnica para novos projetos.
A NBR 17310 substitui a NBR 16690?
Não. A NBR 16690 trata das instalações elétricas dos arranjos fotovoltaicos — cabos, proteções e requisitos de projeto elétrico. A NBR 17310 trata da estrutura de suporte que sustenta fisicamente os módulos no solo. As duas normas se aplicam em conjunto, e o aterramento da estrutura é o ponto onde os dois projetos precisam ser compatibilizados.
Toda usina fotovoltaica de solo precisa de sondagem geotécnica?
Para qualquer estrutura apoiada ou cravada diretamente no terreno, a sondagem é a única forma de confirmar a capacidade de carga do solo e evitar recalque ou instabilidade da fundação. As diretrizes da NBR 17310 reforçam essa etapa como parte do projeto estrutural, não como item opcional.
Quem deve assinar o projeto estrutural da usina?
Engenheiro civil ou eletricista com atribuição para estruturas e fundações, registro ativo no CREA e ART recolhida antes do início da obra. Em usinas de porte comercial, o ideal é que o mesmo responsável técnico, ou uma equipe coordenada, assine tanto o projeto estrutural quanto o elétrico.
Bancos e seguradoras já exigem esse projeto para liberar financiamento?
Já é comum bancos e seguradoras de operação (O&M) exigirem memorial de cálculo estrutural e ART como condição para financiamento e apólice de usinas de geração centralizada e minigeração Tipo III. A tendência é que a NBR 17310, quando publicada, vire referência formal nessa exigência.
Qual o prazo para adequar um projeto já em andamento?
Não há prazo legal definido, porque a norma ainda não foi publicada. Mas usinas em fase de projeto básico ganham ao adotar desde já as diretrizes da minuta, evitando redesenho da fundação e da estrutura quando a norma se tornar exigência formal de concessionárias e financiadores.
Solicite uma proposta
ou ligue (31) 99742-0166
Responsável técnico: Rafael Barcelar — Engenheiro Civil — CREA-MG 0000214181D

