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Eletromobilidade e a rede: Aneel promete norma nacional em 2026 e o que muda no projeto elétrico de recarga

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A Aneel indicou, em setembro de 2026, que pretende fechar ainda neste ano uma norma nacional para facilitar a eletromobilidade e a conexão de veículos elétricos às redes de distribuição, segundo o Diário do Transporte de 10 de setembro. O sinal importa para quem projeta garagens, condomínios, shoppings e centros logísticos: a regra que sair do debate aberto pela Consulta Pública 042/2025 vai definir quanta potência a distribuidora entrega, em quais horários e com quais estudos. Em São Paulo, a distribuidora já entregou 92,72 MW a 35 garagens de ônibus elétricos, e o gargalo continua sendo a rede, não o veículo.

O que está em jogo na conexão da eletromobilidade

Ligar um carregador de veículo elétrico parece simples quando se trata de uma tomada de garagem. A conta muda quando o empreendimento tem dezenas de vagas ou uma frota inteira: a carga passa a ser comparável à de uma indústria pequena e concentra-se nas mesmas horas, geralmente à noite, quando os veículos voltam para a base. É nesse ponto que a eletromobilidade deixa de ser um item de arquitetura e vira um problema de engenharia elétrica e de relacionamento com a distribuidora.

Definição. Eletromobilidade, neste contexto, é o conjunto de instalações que alimenta veículos elétricos: ramal de entrada, subestação ou transformador, quadros, circuitos, proteções, carregadores e o sistema de controle que limita a demanda. A distribuidora analisa o pedido de acesso; o projetista responde pela instalação dentro do imóvel.

A Aneel abriu a Consulta Pública 042/2025 em 11 de dezembro de 2025, com prazo de 90 dias, até 10 de março de 2026. O prazo inicial recomendado era de 45 dias, e o diretor Willamy Frota o ampliou, citando o impacto potencial sobre os processos de acesso. Entre as propostas noticiadas pela Agência iNFRA estão modalidades contratuais com restrição de dias e horários de recarga, definidas já no orçamento de conexão, e a publicação obrigatória de mapas de disponibilidade da rede pelas distribuidoras. Segundo análise do material, a consulta recebeu 71 arquivos de 62 participantes, com preocupações recorrentes sobre prazos, responsabilidade técnica, rateio de custos e transparência da fila.

Sintomas de que o projeto da eletromobilidade está desalinhado

Checklist de alerta
  • O orçamento de conexão da distribuidora traz reforço de rede que ninguém previu na viabilidade do empreendimento.
  • O transformador ou o ramal de entrada existente não comporta a carga dos carregadores somada à carga predial.
  • Os disjuntores gerais desarmam nos horários em que muitos veículos recarregam ao mesmo tempo.
  • Há carregadores instalados sem memorial, sem diagrama unifilar atualizado e sem ART.
  • O pedido de acesso ficou parado por falta de estudo de demanda ou de informação sobre o regime de recarga.
  • A garagem foi dimensionada para a frota inteira, mas a operação real usa apenas parte dela.

Esse último sintoma aparece nos números de São Paulo. De acordo com a Times Brasil, a frota municipal chegou a 1.700 ônibus elétricos depois da entrega de 500 veículos em 21 de junho de 2026. A Enel entregou 92,72 MW de capacidade a 35 garagens desde 2024, suficiente para pelo menos 2.000 ônibus, mas a utilização máxima das garagens não passou de 50% nos últimos 12 meses e ficou em 39% em maio. Ou seja, o dimensionamento da infraestrutura e o ritmo da frota nem sempre andam juntos.

A mesma reportagem do Diário do Transporte de agosto de 2025 registrou outro limite físico: a maior parte dos bairros paulistanos é atendida em baixa tensão, e a recarga de ônibus exige média ou alta tensão para não sobrecarregar a rede residencial. As obras de preparação das garagens levam, em geral, de 120 a 210 dias após a assinatura do contrato.

Tipo de empreendimentoAtendimento típicoPonto crítico da eletromobilidade
Residência unifamiliarBaixa tensão, ramal existenteCapacidade do disjuntor geral e do condutor de entrada
Condomínio residencialBaixa tensão ou subestação própriaDemanda do edifício somada à recarga e rateio do consumo
Shopping, hospital e escritórioMédia tensão, subestação abrigadaConcorrência entre ar-condicionado, elevadores e carregadores
Garagem de frota ou centro logísticoMédia tensão dedicadaJanela de recarga noturna e estudo de acesso à distribuidora

Como projetar a recarga e a conexão com a rede

O caminho técnico da eletromobilidade segue uma lógica estável, mesmo com a regulação em movimento. Quanto mais cedo o levantamento de carga entra no estudo preliminar, menor a chance de o projeto esbarrar em uma obra de reforço na reta final. A sequência abaixo resume o que um projeto elétrico de eletromobilidade precisa cobrir.

  1. Levantamento de carga e perfil de uso: quantos veículos, em quais horários, com que energia por ciclo de recarga e com qual previsão de crescimento da frota ou das vagas.
  2. Consulta de disponibilidade e pedido de acesso: verificação da capacidade da rede junto à distribuidora e abertura do processo conforme a Resolução Normativa 1.000/2021 e o PRODIST. Os mapas de disponibilidade propostos na consulta pública devem facilitar essa etapa quando forem adotados.
  3. Definição da tensão de atendimento: entrada em baixa tensão, regida pela NBR 5410, ou em média tensão, com subestação projetada conforme a NBR 14039.
  4. Estratégia de controle de demanda: gerenciamento dinâmico de carga, escalonamento de recarga e, quando couber, armazenamento, para reduzir o pico e o reforço de rede.
  5. Dimensionamento dos circuitos e proteções: condutores, dispositivos de proteção, DR, DPS e aterramento, com atenção aos requisitos da NBR 17019 para a alimentação de veículos elétricos.
  6. Compatibilização em BIM: eletrodutos, canaletas, subestação, drenagem do pátio e esgoto das áreas de apoio no mesmo modelo, para evitar interferências em campo.
  7. Documentação e comissionamento: memorial descritivo, diagrama unifilar, ART, ensaios de entrega e prontuário conforme a NR-10.
Insight estratégico. Na eletromobilidade, a proposta de contratos com restrição de dias e horários muda a pergunta de projeto. Em vez de perguntar apenas quanta potência o empreendimento precisa, passa a valer perguntar quanta potência ele precisa no horário de pico da rede. Um sistema de controle bem especificado pode transformar uma obra de reforço cara em uma conexão mais barata e mais rápida.
Projeto antecipado

Levantamento de carga no estudo preliminar, pedido de acesso aberto cedo, controle de demanda especificado e subestação dimensionada com folga para a expansão.

Projeto reativo

Carregadores comprados antes da viabilidade elétrica, pedido de acesso aberto com a obra pronta, reforço de rede inesperado e quadros refeitos.

Por que tratar agora

Há três razões para não esperar a publicação da norma de eletromobilidade. A primeira é o prazo físico: se uma obra de preparação de garagem leva de 120 a 210 dias depois do contrato, qualquer reforço descoberto tarde empurra a inauguração em semestres. A segunda é financeira, porque a regra de restrição horária pode reduzir o investimento exigido, mas só beneficia quem chega ao pedido de acesso com um estudo de carga consistente. A terceira é a segurança: a recarga simultânea de muitos veículos aumenta a corrente nos barramentos e exige proteção, aterramento e manutenção compatíveis, sob responsabilidade do profissional habilitado.

Do ponto de vista legal, a nova NR-10, publicada pela Portaria MTE 737/2026, reforça a exigência de documentação do projeto elétrico e do prontuário das instalações. Em edificações com eletromobilidade, o memorial e o diagrama unifilar atualizados deixam de ser formalidade e passam a ser a base de qualquer fiscalização, seguro ou ampliação futura.

Em São Paulo, a energia já entregue às garagens supera o que a frota usa. O problema nunca é só ter potência: é ter a potência certa, no ponto certo, no horário certo.

Rafael Barcelar, Engenheiro Civil, CREA-MG 0000214181D

Quem pode resolver

Projeto elétrico de entrada de energia, subestação e circuitos de eletromobilidade é atividade privativa de profissional registrado no CREA, com ART emitida para cada trabalho, conforme a Lei 6.496/1977. A ART vincula o engenheiro ao projeto e ao memorial, e a distribuidora costuma exigi-la no pedido de acesso. Para empreendimentos com subestação em média tensão, vale conferir a experiência do projetista com a NBR 14039 e com a análise de pedidos de acesso, já que um erro de dados no pedido costuma reiniciar o prazo.

Na prática, o responsável pela eletromobilidade precisa dominar três frentes ao mesmo tempo: a instalação interna, regida pela NBR 5410 e pela NBR 17019, a interface com a distribuidora, regida pela REN 1.000/2021 e pelo PRODIST, e a coordenação com as demais disciplinas da obra, como hidráulica, esgoto e drenagem do pátio onde a infraestrutura será implantada.

Como a GreenGold Engenharia entrega o projeto de eletromobilidade

A GreenGold Engenharia atua há mais de 20 anos em projetos prediais, trabalha com BIM e acumula 500 mil m² de projetos entregues. Nos projetos de eletromobilidade, o escopo cobre o levantamento de carga, o estudo de demanda para o pedido de acesso, o projeto de entrada de energia e subestação, os circuitos de recarga, o memorial descritivo e a compatibilização com os projetos hidráulico, de esgoto e de drenagem no mesmo modelo BIM. A coordenação técnica é de Rafael Barcelar (CREA-MG 0000214181D), responsável pela revisão de cada entrega.

O atendimento de eletromobilidade cobre quatro estados, cada um com sua distribuidora e seu conselho regional: em Minas Gerais (Belo Horizonte e região metropolitana), a Cemig e o CREA-MG; em São Paulo (capital, Grande São Paulo e interior), a Enel SP, a CPFL e a Elektro, com o CREA-SP; no Rio de Janeiro (capital, Baixada e Lagos, com escritório na Barra), a Light e a Enel Rio, com o CREA-RJ; e no Espírito Santo (Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica), a EDP Espírito Santo e o CREA-ES.

Para residências e casos simples, o projeto de eletromobilidade trabalha com faixa orientativa que depende da potência instalada, do número de pontos e da necessidade de adequar o quadro geral. Para edificações comerciais, multifamiliares, industriais e empreendimentos com subestação ou garagem de frota, o orçamento é elaborado sob consulta.

Perguntas frequentes

A norma nacional da Aneel para eletromobilidade já foi publicada?

Não. Em 10 de setembro de 2026, a Aneel apenas indicou que pretende concluir a regulação ainda em 2026. As regras vigentes continuam sendo a REN 1.000/2021 e o PRODIST, e a Consulta Pública 042/2025 mostra a direção das mudanças.

O que significa conexão com restrição de dias e horários?

É uma modalidade contratual em que o consumidor aceita limitar a recarga em determinados períodos, definidos já no orçamento e no contrato de conexão. A proposta busca reduzir o investimento em reforço de rede e acelerar a ligação.

Todo carregador de eletromobilidade exige pedido de acesso à distribuidora?

Depende da carga total e do regime de recarga. Em instalações pequenas, a verificação costuma limitar-se à capacidade da entrada existente. Em condomínios, comércios e frotas, a análise da distribuidora e um estudo de demanda são recomendados antes da compra dos equipamentos.

Preciso de ART para instalar carregadores?

Sim. Projeto e execução de instalações elétricas são atividades de engenharia, e a ART registra a responsabilidade técnica do profissional habilitado perante o CREA.

A infraestrutura de eletromobilidade deve ser dimensionada para a frota inteira desde o início?

Não necessariamente. Os dados de São Paulo mostram garagens com utilização de 39% em maio de 2026. O projeto pode prever a capacidade final na subestação e no encaminhamento, e instalar os carregadores por etapas.

Responsável técnico: Rafael Barcelar — Engenheiro Civil — CREA-MG 0000214181D

Fontes

Belo Horizonte

Rio de Janeiro