Você liga o chuveiro e precisa esperar um bom tempo até a água quente chegar? Ou o aquecedor a gás não aciona porque a pressão está baixa? Esses são sintomas clássicos de um trecho de água quente mal dimensionado entre o aquecedor de passagem e o ponto de utilização. Neste artigo, explicamos como esse cálculo é feito, o que diz a NBR 5626 e quais erros evitar no projeto.
Como funciona um aquecedor de passagem?
O aquecedor de passagem (também chamado de aquecedor instantâneo) aquece a água no momento em que ela passa pelo equipamento, sem armazená-la. Para que ele funcione corretamente, é necessário que a água chegue ao aparelho com pressão e vazão mínimas, que variam conforme o modelo e o fabricante. A maioria dos aquecedores a gás de passagem exige pelo menos 1,0 a 2,0 mca de pressão e uma vazão mínima de 1,5 a 3,0 litros por minuto para que o sistema de acendimento seja ativado.
Quando a tubulação entre a entrada de água fria e o aquecedor, ou entre o aquecedor e o chuveiro, é mal dimensionada, essas condições mínimas não são atendidas e o equipamento simplesmente não liga, ou liga e apaga intermitentemente.
O que diz a NBR 5626?
A norma NBR 5626 regulamenta as instalações prediais de água fria e água quente e estabelece os parâmetros que o engenheiro hidráulico deve considerar no dimensionamento do trecho de água quente:
- Pressão mínima nos pontos de utilização: 5 mca (metros de coluna d’água)
- Pressão máxima nos pontos de utilização: 40 mca
- Velocidade máxima de escoamento na tubulação: 3 m/s (para evitar ruídos e erosão)
- Temperatura máxima de distribuição de água quente: 60°C nos ramais e subramais, para evitar queimaduras e proliferação de legionela
- As perdas de carga no trecho de água quente devem ser calculadas da mesma forma que no trecho de água fria, utilizando a fórmula de Hazen-Williams para perdas contínuas e comprimento equivalente para perdas localizadas
Como calcular o trecho entre o aquecedor e o chuveiro?
O dimensionamento do trecho de água quente envolve as seguintes etapas:
- Definição da vazão de projeto: cada ponto de consumo possui uma vazão de referência definida pela NBR 5626. Para chuveiros elétricos, o valor típico é de 0,1 l/s (6 l/min); para chuveiros com aquecedor a gás de passagem, considera-se a vazão mínima exigida pelo fabricante do equipamento
- Cálculo da perda de carga contínua: aplica-se a fórmula de Hazen-Williams ao longo de cada trecho de tubulação, considerando o diâmetro interno do tubo, a rugosidade do material (PVC, cobre ou CPVC) e a vazão
- Cálculo da perda de carga localizada: cada curva, joelho, tê, registro e redução no trecho é convertida em comprimento equivalente e somada ao comprimento real da tubulação
- Verificação da pressão residual: a pressão disponível no ponto de alimentação do aquecedor (geralmente a saída do reservatório ou da rede pública) menos todas as perdas de carga deve resultar em pressão igual ou superior ao mínimo exigido pelo fabricante do aquecedor e pela NBR 5626 no ponto do chuveiro
Por que a água demora para chegar quente ao chuveiro?
Esse problema é muito comum em instalações onde o aquecedor foi posicionado longe do ponto de uso. Quando o chuveiro fica inativo por algum tempo, a água que permanece na tubulação de água quente esfria. Ao abrir o registro, essa água fria precisa ser escoada antes que a água aquecida pelo equipamento chegue ao chuveiro.
O tempo de espera depende diretamente do volume interno da tubulação entre o aquecedor e o chuveiro. Quanto maior o diâmetro e o comprimento desse trecho, mais água fria precisa ser descartada antes da água quente chegar. Por isso, o correto posicionamento do aquecedor de passagem, o mais próximo possível dos pontos de consumo, é uma decisão de projeto fundamental para o conforto do usuário.
Quais são os erros mais comuns nesse trecho?
- Tubulação com diâmetro excessivo no trecho quente: aumenta o volume de água a ser descartado e eleva a perda de carga localizada, além de desperdiçar água
- Aquecedor instalado longe dos pontos de consumo: aumenta o tempo de espera e eleva o consumo de água e gás
- Ausência de isolamento térmico na tubulação: a tubulação de água quente exposta perde calor para o ambiente, reduzindo a temperatura que chega ao chuveiro e aumentando o tempo de acionamento do aquecedor
- Queda de pressão não calculada no trecho quente: em instalações com múltiplos chuveiros ou com aquecedor de passagem a gás de alta potência, a pressão disponível pode cair abaixo do mínimo de ativação quando dois pontos são usados simultaneamente
- Uso de material inadequado: tubos de PVC convencional não são indicados para água quente acima de 40°C. O correto é usar CPVC, cobre ou PPR, conforme as condições de temperatura e pressão do sistema
Quanto custa um projeto hidráulico com dimensionamento correto?
O valor do projeto hidráulico é calculado por m² e varia de acordo com a complexidade do projeto, o porte da edificação e a modalidade escolhida. Projetos em BIM (modelagem 3D) possuem um custo diferente em relação a projetos em 2D. Outros fatores que influenciam o preço incluem a quantidade de pontos de consumo, o tipo de aquecimento (elétrico, gás ou solar), o tipo de instalação (residencial, comercial ou industrial) e as exigências da concessionária local. Entre em contato para solicitar um orçamento personalizado.
Por que contratar uma empresa especializada?
O dimensionamento correto do trecho de água quente exige conhecimento de hidráulica predial, domínio da NBR 5626 e experiência com diferentes tipos de aquecedores e materiais de tubulação. A GreenGold Engenharia elabora projetos hidrossanitários completos, incluindo o dimensionamento detalhado dos trechos de água quente, com memorial de cálculo, especificação dos materiais e ART do CREA, garantindo que o seu aquecedor de passagem funcione corretamente e que a água chegue quente e com pressão adequada em todos os pontos de consumo.
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