A ABNT publicou em 10 de março de 2026 a nova edição da NBR 5419, norma que rege a proteção contra descargas atmosféricas no Brasil. A revisão substitui integralmente a edição de 2015 e altera pontos centrais do projeto de SPDA: a metodologia de avaliação de risco mudou de nome e de cálculo, os valores de densidade de descargas para o solo (Ng) aumentaram de forma significativa em boa parte do território e as tabelas de materiais e seções mínimas de condutores foram atualizadas. Para quem projeta, constrói ou administra edificações em MG, SP, RJ e ES, o efeito é direto: laudos, projetos e inspeções passam a ser cobrados pela referência de 2026.
O que muda com a NBR 5419:2026
A NBR 5419 é a série normativa que define como proteger edificações, pessoas e equipamentos contra raios. Ela é dividida em quatro partes: princípios gerais, gerenciamento de risco, danos físicos à estrutura e proteção de sistemas eletrônicos internos. A edição de 2026, elaborada pela Comissão de Estudos CE-64:10 da ABNT, alinha o texto brasileiro à norma internacional IEC 62305 na edição de 2024 — e isso não é detalhe editorial: muda o resultado das contas que definem se a sua edificação precisa ou não de proteção, e em qual nível.
Três alterações concentram o impacto prático. Primeiro, a parte 2 deixa de tratar de “gerenciamento de risco” e passa a tratar de “análise de risco”, com a introdução do conceito de Frequência de Danos (F). Na prática, o projetista passa a estimar quantas paradas por ano uma descarga atmosférica pode causar em equipamentos críticos e não críticos — um indicador que conversa diretamente com a operação de condomínios, indústrias e edifícios comerciais. Segundo, os valores de Ng, a densidade de descargas atmosféricas para o solo por km² por ano, foram atualizados para cima em grande parte do país. Estruturas que em 2015 dispensavam proteção podem, pela conta nova, passar a exigir SPDA completo. Terceiro, as tabelas de materiais mudaram: a seção de cabos de aço cobreado foi equiparada à dos cabos de cobre, condutores de cobre embutidos no concreto passaram a ser admitidos e o aço zincado a quente foi proibido na transição entre concreto e solo.
Sinais de que a sua edificação provavelmente está em desacordo com a edição vigente:
- O projeto ou laudo de SPDA cita a edição de 2015 e nunca foi reavaliado após março de 2026;
- A análise de risco original concluiu “proteção dispensada” com valores antigos de Ng;
- O sistema usa captores ionizantes (ESE), que seguem fora da norma brasileira;
- Há descidas em aço zincado a quente fazendo a transição concreto–solo;
- A edificação ganhou painéis fotovoltaicos, antenas ou equipamentos sensíveis sem revisão das MPS;
- Não existe ART de projeto ou de inspeção do sistema instalado.
Como adequar o projeto de SPDA à nova edição
A adequação começa pela análise de risco refeita com os parâmetros da NBR 5419:2026 — e termina em documentação assinada. O caminho técnico que aplicamos em edificações novas e existentes segue uma sequência lógica:
- Levantamento da edificação: geometria, uso, ocupação, linhas elétricas e de sinal que entram na estrutura, equipamentos críticos para a operação;
- Análise de risco conforme a parte 2 da NBR 5419:2026: cálculo com os novos valores de Ng e avaliação da Frequência de Danos (F) para equipamentos críticos e não críticos;
- Definição da classe do SPDA (I a IV) e do nível de proteção exigido, com dimensionamento de captores, descidas e aterramento;
- Especificação de materiais pelas tabelas novas: seções mínimas revisadas, aço cobreado equiparado ao cobre, alternativas de eletrodos de aterramento e vedação do aço zincado a quente na transição concreto–solo;
- Projeto das MPS: coordenação de dispositivos de proteção contra surtos (DPS), blindagem, equipotencialização e roteamento de cabos para proteger eletrônica sensível;
- Inspeção e medições: verificação de continuidade elétrica pelos métodos atualizados da norma e registro fotográfico;
- Emissão de ART e laudo técnico referenciando a edição de 2026, com plano de manutenção e inspeções periódicas.
| Aspecto | Edição 2015 | Edição 2026 |
|---|---|---|
| Metodologia da parte 2 | Gerenciamento de risco | Análise de risco, com Frequência de Danos (F) |
| Densidade de descargas (Ng) | Mapas e valores de referência de 2015 | Valores atualizados, maiores em boa parte do território |
| Aço cobreado | Seções maiores que as do cobre | Seção equiparada à do cobre |
| Cobre no concreto | Não admitido | Admitido |
| Aço zincado a quente (transição concreto–solo) | Tolerado | Proibido |
| Referência internacional | IEC 62305:2010 | IEC 62305:2024 |
| Captores ionizantes (ESE) | Fora da norma | Continuam fora da norma |
| Medição de resistência de aterramento | Não obrigatória, sem valor-limite | Continua não obrigatória, sem exigência de 10 ohms |
Repare que nem tudo mudou. A medição da resistência de aterramento continua não sendo obrigatória e segue não existindo a exigência lendária dos “10 ohms”. O que a revisão cobra é coerência de projeto: risco calculado pelo método novo, materiais conforme as tabelas novas e verificação de continuidade pelos procedimentos atualizados.
Por que tratar agora: riscos legais, técnicos e financeiros
O Brasil é o país com maior incidência de raios do mundo — a ordem de grandeza aceita pelo INPE supera 77 milhões de descargas por ano. Quando uma norma técnica é revisada, ela passa a ser a referência de boa prática imediatamente: em perícias, sinistros e fiscalizações, o documento cobrado é a edição vigente, não a que estava em vigor quando o prédio foi construído. Um laudo de SPDA baseado na NBR 5419:2015, emitido depois de março de 2026, nasce tecnicamente desatualizado.
Há ainda um efeito em cadeia com outras obrigações. A nova NR-10, publicada pelo MTE em 2026, integra o risco elétrico ao gerenciamento de riscos ocupacionais e cobra documentação técnica atualizada das instalações — e o SPDA faz parte desse pacote documental. Seguradoras condicionam indenizações à comprovação de conformidade, corpos de bombeiros pedem o sistema em processos de licenciamento de incêndio e administradoras de condomínio respondem civilmente por omissão de manutenção. Em caso de acidente com vítima, a ausência de projeto e laudo atualizados conta contra o responsável legal da edificação.
- Análise de risco refeita com Ng atualizado e ART vigente
- Laudo aceito por seguradora, bombeiros e perícia
- Frequência de Danos conhecida: paradas previsíveis e mitigadas
- Materiais conforme as tabelas novas, sem retrabalho futuro
- Laudo contestável em sinistro e em perícia judicial
- Risco de glosa de indenização pela seguradora
- Eletrônica sensível exposta a surtos não avaliados
- Passivo técnico que cresce a cada inspeção adiada
Quem pode projetar e laudar SPDA
Projeto, inspeção e laudo de sistema de proteção contra descargas atmosféricas são atividades privativas de profissional legalmente habilitado — engenheiro com registro ativo no CREA e atribuição na área, com emissão de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) para cada serviço. Sem ART, o documento não tem valor perante seguradora, corpo de bombeiros, fiscalização do trabalho ou Justiça.
Norma técnica não protege edificação nenhuma sozinha. Quem protege é o projeto bem calculado, a instalação conferida e a inspeção assinada por quem responde tecnicamente por ela.
Desconfie de “laudos de para-raios” emitidos por instaladores sem responsável técnico, de medições oferecidas como laudo completo e de soluções com captores ionizantes vendidas como dispensa de descidas — a tecnologia ESE segue sem reconhecimento na NBR 5419, e a edição de 2026 manteve essa posição. O caminho correto é sempre o mesmo: análise de risco, projeto, execução conferida e laudo com ART.
Como a GreenGold Engenharia entrega projetos de SPDA atualizados
A GreenGold Engenharia projeta instalações elétricas, hidráulicas, de esgoto e de drenagem há mais de 20 anos, com mais de 500 mil m² de projetos entregues e processo de produção em BIM. Os projetos de SPDA e MPS já são desenvolvidos pela NBR 5419 na edição de 2026: análise de risco com os novos valores de Ng, avaliação de Frequência de Danos para equipamentos críticos, especificação de materiais pelas tabelas revisadas e compatibilização com o projeto elétrico, o fotovoltaico e as demais disciplinas no modelo BIM — o que reduz interferências em obra e retrabalho de furação e fixação.
A coordenação técnica é de Rafael Barcelar (CREA-MG 0000214181D), responsável pela revisão de cada entrega. O atendimento cobre os quatro estados do Sudeste: em Minas Gerais (Belo Horizonte e região metropolitana, concessionária CEMIG, registro CREA-MG), em São Paulo (Capital, Grande São Paulo e interior, área da Enel SP, CREA-SP), no Rio de Janeiro (Capital, Baixada e Região dos Lagos, áreas de Light e Enel RJ, CREA-RJ, com escritório na Barra da Tijuca) e no Espírito Santo (Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica, área da EDP ES, CREA-ES).
Para residências e casos simples, o projeto de SPDA trabalha com faixa orientativa que depende da área construída, da geometria da cobertura e da classe de proteção resultante da análise de risco. Para edificações comerciais, multifamiliares, industriais e empreendimentos com equipamentos críticos ou múltiplas edificações, o orçamento é elaborado sob consulta.
Perguntas frequentes
Meu SPDA foi projetado pela edição de 2015. Sou obrigado a reformar tudo?
Não necessariamente. Sistemas existentes não se tornam ilegais da noite para o dia, mas laudos e inspeções emitidos a partir de agora devem usar a NBR 5419 na referência de 2026. O primeiro passo é refazer a análise de risco: ela dirá se o sistema atual permanece suficiente ou se há ajustes a executar — muitas vezes pontuais, como DPS e equipotencialização.
O que é a Frequência de Danos (F) introduzida pela nova edição?
É um indicador que estima quantas vezes por ano uma descarga atmosférica pode causar dano ou parada em equipamentos da edificação, críticos e não críticos. Ele transforma o risco em um número operacional: dá para comparar o custo da proteção com o custo das paradas que ela evita.
Medir a resistência de aterramento e obter “menos de 10 ohms” virou obrigação?
Não. A medição da resistência de aterramento continua não sendo obrigatória e não existe exigência normativa de 10 ohms. O que a norma pede é a verificação de continuidade elétrica do sistema pelos métodos atualizados, registrada em laudo com ART.
Para-raios “radioativo” ou ionizante (ESE) passou a ser aceito?
Não. Os captores ionizantes continuam fora da NBR 5419 na edição de 2026. Edificações que dependem exclusivamente deles permanecem em desconformidade e tendem a ter laudos recusados por seguradoras e órgãos de fiscalização.
Prédio com painéis fotovoltaicos precisa de atenção extra?
Sim. Painéis na cobertura alteram a exposição da edificação e criam novos caminhos para surtos. A análise de risco e as MPS devem considerar o sistema fotovoltaico, coordenando DPS no lado de corrente contínua e alternada e a equipotencialização das estruturas metálicas dos módulos.
Com que frequência o SPDA deve ser inspecionado?
A periodicidade depende da classe do sistema e do uso da edificação — estruturas críticas e ambientes agressivos pedem intervalos menores. Além das inspeções periódicas, o sistema deve ser verificado após reformas na cobertura, ampliações, instalação de antenas ou painéis e após descargas diretas conhecidas.
Sua edificação ainda está na edição de 2015? Refaça a análise de risco antes que a vistoria, a seguradora ou o raio façam isso por você.
Solicitar projeto de SPDA — GreenGold Engenhariaou ligue (31) 99742-0166
Responsável técnico: Rafael Barcelar — Engenheiro Civil — CREA-MG 0000214181D

