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BIM obrigatório em 2028: o Decreto 10.306/2020 que muda o projeto elétrico, hidráulico, de esgoto e drenagem das edificações

Projeto predial em BIM — GreenGold Engenharia

O prazo mais decisivo da construção brasileira não é uma norma técnica nova, mas uma metodologia de trabalho: a partir de 1º de janeiro de 2028 entra em vigor a terceira e última fase do Decreto federal 10.306/2020, que passa a exigir o BIM em todo o ciclo de vida das obras públicas — do projeto à operação do edifício. A Lei de Licitações 14.133/2021 já indica o uso preferencial da metodologia em contratações de engenharia e arquitetura, e o mercado privado segue o mesmo caminho. Faltam pouco mais de 18 meses, e projetar em pranchas 2D isoladas deixou de ser suficiente para quem quer contratar, licitar ou entregar obra sem retrabalho.

O que é o BIM e por que o Decreto o tornou obrigatório

BIM é a sigla de Building Information Modeling, ou Modelagem da Informação da Construção. Não é um software, e sim um método de trabalho no qual o edifício é representado por um modelo tridimensional carregado de dados: cada parede, tubulação, eletroduto, luminária e caixa de esgoto existe com geometria, material, dimensão e informação técnica associada. Em vez de dezenas de pranchas 2D desconexas, a obra passa a ter um modelo único e integrado, do qual se extraem plantas, cortes, quantitativos e cronogramas de forma coordenada.

Definição rápida: o BIM organiza projeto, orçamento e execução em torno de um modelo digital compartilhado. A informação deixa de ficar dispersa em arquivos soltos e passa a ser rastreável, versionada e conferível por todas as disciplinas ao mesmo tempo.

O problema que a metodologia resolve é antigo e caro: a incompatibilidade entre disciplinas. Quando o projeto elétrico, o hidráulico, o de esgoto e o de drenagem são desenhados separadamente, é comum que um eletroduto ocupe o mesmo espaço de uma tubulação de água, ou que um shaft não comporte todas as prumadas previstas. Esses conflitos só apareciam na obra, quando o pedreiro parava para perguntar por onde passa o tubo — e a correção saía do bolso de quem construía. Foi para enfrentar esse desperdício que o governo federal instituiu a Estratégia BIM BR, pelo Decreto 9.377/2018, depois consolidada pelo Decreto 11.888/2024, e definiu o cronograma de obrigatoriedade no Decreto 10.306/2020.

Os sintomas de um projeto que ainda não usa a modelagem da informação da construção costumam ser reconhecíveis por qualquer gestor de obra:

  • Revisões que corrigem uma prancha mas esquecem de atualizar as demais, gerando plantas que se contradizem.
  • Quantitativos de material estimados “por experiência”, que estouram na compra ou faltam no meio da execução.
  • Furos em laje e passagens em viga descobertos tarde demais, exigindo quebra e reforço estrutural.
  • Interferência entre a rede elétrica e a hidrossanitária percebida só quando as duas equipes chegam ao mesmo forro.
  • Dificuldade de comprovar, para o cliente ou para o órgão público, a rastreabilidade das decisões de projeto.

Como implementar o BIM em um projeto predial

Adotar a metodologia não significa apenas comprar um programa e desenhar em três dimensões. Existe um processo técnico, hoje normatizado no Brasil pela série ABNT NBR ISO 19650, que trata da gestão da informação ao longo do ciclo de vida das edificações. O caminho, de forma resumida, passa por etapas encadeadas.

  1. Definir os usos e o nível de desenvolvimento. Antes de modelar, define-se para que o modelo servirá (extração de quantitativos, compatibilização, planejamento) e o LOD — Level of Development — de cada elemento, que estabelece quanto detalhe e informação cada objeto deve carregar em cada fase.
  2. Modelar cada disciplina. Elétrica, hidráulica, esgoto, drenagem pluvial e estrutura são modeladas em três dimensões, cada uma no seu ambiente, respeitando as normas específicas — da NBR 5410 à NBR 8160.
  3. Federar os modelos. Os modelos das disciplinas são reunidos em um modelo federado, no qual as interferências passam a ser visíveis. É aqui que o eletroduto que cruzava o tubo de esgoto aparece na tela, e não na obra.
  4. Rodar a detecção de conflitos. Ferramentas de clash detection listam automaticamente cada colisão física entre elementos, permitindo resolver no projeto o que antes só se descobria com a parede levantada.
  5. Compartilhar num Ambiente Comum de Dados. Todo o time trabalha sobre um CDE — Common Data Environment —, onde cada versão é registrada e ninguém projeta sobre informação desatualizada.
  6. Extrair documentação e quantitativos. Plantas, cortes, listas de materiais e cronogramas saem do próprio modelo, mantendo coerência entre o que foi projetado e o que será comprado e executado.
AspectoProjeto 2D tradicionalProjeto em BIM
CompatibilizaçãoManual, prancha sobre pranchaAutomática, no modelo federado
QuantitativosEstimados, sujeitos a erroExtraídos do modelo, rastreáveis
Descoberta de conflitosNa obra, com custo de correçãoNo projeto, sem quebra
RevisõesArquivo por arquivoPropagadas no modelo único
Obras públicas federaisInsuficiente a partir de 2028Exigido pelo Decreto 10.306/2020

Por que adotar agora — e não esperar 2028

O calendário oficial já está em curso. A primeira fase do Decreto 10.306/2020, vigente desde janeiro de 2021, exigiu a modelagem no desenvolvimento de projetos. A segunda fase, desde janeiro de 2024, ampliou a exigência para a execução e o gerenciamento das obras. A terceira fase, a partir de janeiro de 2028, cobre o ciclo de vida completo — projeto, construção e operação. Somada a isso, a Lei 14.133/2021, a nova Lei de Licitações, prevê o uso preferencial da metodologia sempre que adequado ao objeto contratado. Para quem trabalha com o setor público, a modelagem já deixou de ser diferencial e virou requisito.

Projetar em BIM

Conflitos resolvidos na tela, orçamento aderente à obra, documentação coerente e aptidão para licitar obra pública. Menos retrabalho, prazo mais previsível.

Insistir só no 2D

Incompatibilidades descobertas na obra, aditivos de custo, quantitativo impreciso e risco de inabilitação em contratos que já exigem o modelo. Correção sempre mais cara.

Os riscos de adiar a adoção são de três ordens. No plano legal, órgãos públicos e empresas privadas de maior porte passam a exigir entregas no formato do modelo, e quem não domina a nova norma perde a contratação. No plano técnico, a ausência de compatibilização multiplica interferências entre disciplinas, justamente onde a GreenGold atua — elétrica, hidráulica, esgoto e drenagem convivendo no mesmo forro e no mesmo shaft. No plano financeiro, cada conflito não detectado no projeto vira quebra, reforço e aditivo na obra, custo que estudos de produtividade da construção associam de forma consistente à correção tardia.

Compatibilizar no modelo custa horas de projeto. Compatibilizar na obra custa concreto, prazo e a confiança do cliente. A diferença entre os dois é o que a modelagem da informação da construção entrega.

Insight estratégico: o ganho maior do BIM não está no desenho tridimensional bonito, e sim na informação estruturada. Um modelo bem coordenado vira base para a manutenção do edifício por décadas — quem opera o prédio sabe onde passa cada tubulação e cada circuito sem abrir parede.

Quem pode coordenar um projeto em BIM

A metodologia não substitui a responsabilidade técnica; ela a organiza. Cada disciplina modelada precisa de um projeto assinado por profissional habilitado, com registro no CREA e Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) correspondente. O projeto elétrico exige engenheiro eletricista ou civil com atribuição; o hidrossanitário e o de drenagem, engenheiro civil. Sobre essas disciplinas atua o coordenador BIM, responsável por federar os modelos, gerir o Ambiente Comum de Dados e garantir que a informação de todos flua sem contradição.

Contratar quem apenas “desenha em 3D” sem essa responsabilidade formal é um erro comum. Um modelo sem ART não tem valor legal como projeto, não sustenta a obra perante fiscalização e não protege o contratante em caso de falha. A modelagem soma valor justamente quando está ancorada em engenharia registrada — norma, cálculo e assinatura por trás de cada objeto do modelo.

Como a GreenGold Engenharia entrega projetos em BIM

A GreenGold Engenharia trabalha há mais de 20 anos com projetos de instalações prediais e já entregou mais de 500 mil m² de área projetada, com fluxo de trabalho em BIM para as disciplinas que domina: elétrica, hidráulica, esgoto e drenagem pluvial. Na prática, isso significa que os projetos das quatro disciplinas são modelados e federados num único ambiente, com detecção de interferências antes de a obra começar — o cliente recebe plantas coerentes entre si, quantitativos extraídos do modelo e a segurança de que o eletroduto e o tubo não vão brigar pelo mesmo espaço no forro.

A coordenação técnica é de Rafael Barcelar (CREA-MG 0000214181D), responsável pela revisão de cada entrega. Cada disciplina sai com ART, seguindo as normas aplicáveis — da NBR 5410, no elétrico, à NBR 8160, no esgoto sanitário — e a gestão da informação orientada pela ABNT NBR ISO 19650.

O atendimento cobre quatro estados, com equipes e registro local em cada um deles: Minas Gerais (Belo Horizonte e Região Metropolitana), com CREA-MG e as concessionárias Cemig e Copasa; São Paulo (capital, Grande São Paulo e interior), com CREA-SP, Enel/EDP e Sabesp; Rio de Janeiro (capital, Baixada e Região dos Lagos, com escritório na Barra da Tijuca), com CREA-RJ, Light/Enel e Cedae/Águas do Rio; e Espírito Santo (Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica), com CREA-ES, EDP ES e Cesan. Em qualquer uma dessas praças, o projeto é adaptado às exigências da concessionária e do órgão regulador local.

Sobre valores: para residências e casos simples, o projeto em BIM trabalha com faixa orientativa que depende da área, do número de disciplinas e do nível de detalhamento contratado. Para edificações comerciais, multifamiliares, industriais e empreendimentos com múltiplas disciplinas e compatibilização entre modelos, o orçamento é elaborado sob consulta, a partir do escopo real de cada obra.

Perguntas frequentes

O BIM é obrigatório para obra privada?

A obrigatoriedade do Decreto 10.306/2020 alcança obras e serviços de engenharia da administração pública federal. No setor privado a adoção não é imposta por decreto, mas é cada vez mais exigida por incorporadoras e construtoras de médio e grande porte, que já contratam projetos no formato do modelo para reduzir retrabalho.

BIM é a mesma coisa que desenhar em 3D?

Não. O 3D é só a parte visível. O que caracteriza a metodologia é a informação estruturada por trás de cada elemento — material, dimensão, dado técnico — e a coordenação entre disciplinas num modelo federado. Um desenho tridimensional sem informação e sem compatibilização não é um projeto em BIM.

Preciso de ART mesmo entregando em BIM?

Sim. A modelagem não dispensa a responsabilidade técnica. Cada disciplina — elétrica, hidráulica, esgoto, drenagem — precisa de projeto assinado por profissional habilitado, com registro no CREA e a ART correspondente. O modelo organiza a informação; a ART responde legalmente por ela.

Qual norma orienta a gestão da informação em BIM no Brasil?

A série ABNT NBR ISO 19650, que trata da organização e digitalização das informações da construção ao longo do ciclo de vida das edificações. Ela define papéis, o Ambiente Comum de Dados e a forma de estruturar entregas de informação entre as partes.

O BIM aumenta o custo do projeto?

O projeto em si pode demandar mais horas de coordenação, mas o custo total da obra tende a cair, porque as interferências são resolvidas na tela e não na parede levantada. O quantitativo extraído do modelo também reduz sobra e falta de material. O saldo costuma ser favorável já na primeira obra bem coordenada.

A GreenGold entrega as instalações prediais em BIM?

Sim. A GreenGold modela e compatibiliza as disciplinas de elétrica, hidráulica, esgoto e drenagem em um modelo federado, com detecção de interferências antes da obra, em MG, SP, RJ e ES. Cada disciplina sai com ART e revisão técnica do responsável.

Responsável técnico: Rafael Barcelar — Engenheiro Civil — CREA-MG 0000214181D

Fontes: Decreto nº 10.306/2020, que estabelece a utilização do BIM em obras e serviços de engenharia da administração pública federal (Planalto); Estratégia Nacional de Disseminação do BIM — Estratégia BIM BR (Decreto 9.377/2018, consolidado pelo Decreto 11.888/2024); Lei nº 14.133/2021 (Lei de Licitações), sobre o uso preferencial do BIM; série ABNT NBR ISO 19650, sobre gestão da informação com uso do BIM.

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