A ABNT colocou em Consulta Nacional, em 5 de agosto de 2026, o Projeto ABNT NBR ISO 19650-6 — a parte da família 19650 dedicada exclusivamente à informação de saúde e segurança dentro do processo BIM. O texto brasileiro deriva da ISO 19650-6:2025, publicada internacionalmente em substituição à antiga PAS 1192-6:2018, e define como os riscos identificados durante o projeto devem ser classificados, vinculados aos objetos do modelo e transferidos entre projetista, construtor e operador da edificação. Para quem projeta instalações elétricas, hidráulicas, de esgoto e de drenagem, a consequência é imediata: o risco elétrico de uma subestação, o espaço confinado de um poço de visita e o acesso restrito a um barrilete deixam de ser uma nota escrita na prancha e passam a ser dado estruturado, rastreável e auditável dentro do modelo.
O que é a ISO 19650-6 e qual problema ela ataca
A família ISO 19650 é o conjunto de normas que organiza a gestão da informação em empreendimentos que usam modelagem da informação da construção. As partes já conhecidas no Brasil tratam de conceitos e princípios, da fase de projeto e construção, da fase operacional e da segurança da informação. A ISO 19650-6 fecha uma lacuna antiga: ela trata da informação de saúde e segurança — ou seja, de tudo aquilo que pode ferir alguém durante a construção, a manutenção, a reforma e a demolição do ativo.
Informação de saúde e segurança, no sentido da ISO 19650-6, é qualquer dado que permita a uma pessoa futura entender um perigo que ela não conseguiria enxergar sozinha. Exemplos: um circuito que permanece energizado mesmo com o quadro geral desligado, uma caixa de inspeção que exige entrada em espaço confinado, um trecho de rede de esgoto sob laje que só é acessado por andaime suspenso.
O problema que a ISO 19650-6 ataca é conhecido de qualquer engenheiro que já recebeu um projeto de terceiros. O risco existe, alguém o identificou, mas a informação morreu no caminho. Ela ficou numa ata de reunião, num e-mail, numa observação em letra pequena no canto de uma prancha impressa. Quando a equipe de manutenção chega ao edifício cinco anos depois, ninguém sabe que aquele shaft tem uma prumada de água quente sem registro de bloqueio setorizado. A ISO 19650-6 trata esse esquecimento como uma falha de processo, não como azar.
Os sintomas de que um empreendimento não organiza essa informação aparecem cedo e são reconhecíveis:
- O modelo BIM tem geometria detalhada, mas nenhum parâmetro que descreva perigo, restrição de acesso ou procedimento de bloqueio.
- Riscos elétricos identificados na análise preliminar não voltam para o projeto — viram apenas item de PGR do construtor.
- A equipe de obra descobre interferência entre eletroduto e tubulação de esgoto no canteiro, com o serviço já iniciado.
- O manual do proprietário entregue na conclusão não contém mapa de pontos de bloqueio de água, gás e energia.
- Cada disciplina mantém a própria lista de riscos, em planilhas que não conversam entre si.
- Não existe registro de quem identificou o risco, quando, e o que foi decidido a respeito.
Como aplicar a ISO 19650-6 no projeto de instalações
A aplicação prática segue a lógica de gestão da informação já estabelecida pelas outras partes da família. O contratante define o que precisa saber, o projetista produz, o modelo carrega, e a entrega é verificada. O que a ISO 19650-6 acrescenta é o conteúdo específico de segurança em cada uma dessas etapas.
- Incluir segurança nos requisitos de informação. O documento de requisitos do contratante deve dizer explicitamente quais riscos precisam ser modelados e com que nível de detalhe. Sem isso, o projetista não tem obrigação contratual de entregar o dado.
- Identificar o perigo por disciplina. No projeto elétrico, isso significa mapear pontos de risco de arco elétrico, alimentações que permanecem vivas, e espaços com restrição de aproximação segundo a NR-10. No hidráulico e no esgoto, significa marcar espaços confinados, pontos de emanação de gases e trechos sem redundância de bloqueio.
- Classificar de forma padronizada. A ISO 19650-6 insiste em classificação estruturada, não em texto livre. Um risco descrito como "cuidado aqui" não é informação; um risco classificado por tipo, severidade, fase do ciclo de vida e responsável é.
- Vincular o dado ao objeto do modelo. A informação precisa estar no elemento — no quadro, no registro, na caixa de inspeção, no ramal — e não num anexo solto. É isso que garante que ela sobreviva às revisões.
- Verificar nos marcos de entrega. Cada troca de informação entre projeto, obra e operação deve passar por checagem. Se o dado de segurança não está presente, a entrega não é aceita.
- Transferir para a operação. O modelo de informação do ativo, entregue ao proprietário, é o destino final. É ele que a equipe de manutenção vai consultar antes de abrir um painel ou entrar numa caixa.
A mudança de prática fica clara quando se compara o que se faz hoje na maioria das obras com o que a ISO 19650-6 pede.
| Aspecto | Prática corrente | Prática segundo a norma |
|---|---|---|
| Onde o risco fica registrado | Nota em prancha, e-mail, ata | Parâmetro do objeto no modelo |
| Formato | Texto livre, redigido caso a caso | Classificação estruturada e padronizada |
| Momento da identificação | Durante a execução, quando o problema aparece | Na concepção, antes da compatibilização final |
| Quem recebe | Quem estava na reunião | Todos os agentes do ciclo de vida |
| Sobrevida da informação | Perde-se na entrega da obra | Migra para o modelo do ativo em operação |
| Rastreabilidade | Inexistente | Autor, data e decisão registrados |
Vale notar que a nova norma não substitui as Normas Regulamentadoras nem as normas técnicas de dimensionamento. Ela é a camada de informação que faz o conteúdo da NR-10, da NR-18, da NR-33 e da NR-35 chegar organizado a quem executa. O dimensionamento continua regido pela ABNT NBR 5410 no elétrico, pela ABNT NBR 5626 na água fria e quente, pela ABNT NBR 8160 no esgoto predial e pela ABNT NBR 10844 na drenagem pluvial.
Por que tratar agora: risco legal, técnico e financeiro
A consulta nacional aberta em agosto significa que a ISO 19650-6 está próxima de virar norma brasileira. Empreendimentos em fase de contratação hoje serão executados já sob a nova referência. E existe um segundo motor: o Decreto 10.306/2020 escalona a exigência de BIM em obras públicas federais, com marcos que se estendem até 2028. Contratantes públicos que já pedem modelo tendem a pedir também o conteúdo que a ISO 19650-6 padroniza.
- Risco descoberto no canteiro, com serviço iniciado
- Paralisação e retrabalho de instalação já executada
- Autuação em fiscalização por ausência de análise de risco documentada
- Responsabilidade civil difusa: ninguém sabe quem sabia o quê
- Manutenção opera às cegas por toda a vida útil
- Perigo eliminado na prancheta, quando o custo é de horas de projeto
- Compatibilização entre disciplinas antes da compra de material
- Documentação pronta para fiscalização do trabalho e do CREA
- Cadeia de responsabilidade registrada por autor e data
- Manual do proprietário com mapa de bloqueios e acessos
O custo de eliminar um perigo cresce a cada fase. Reposicionar um quadro de distribuição para afastá-lo de uma prumada de água custa uma revisão de projeto. O mesmo ajuste depois do shaft executado custa demolição, refazimento e atraso de cronograma. Depois da entrega, custa obra em edifício ocupado. A edição de 2026 existe para empurrar a decisão para a fase mais barata.
Há ainda o efeito sobre a operação. Boa parte dos acidentes graves em edificações prontas ocorre em manutenção, não em construção: choque elétrico em painel sem identificação, asfixia em reservatório ou caixa de esgoto, queda em cobertura sem ponto de ancoragem previsto. A ISO 19650-6 reconhece que o projetista tem informação privilegiada sobre esses perigos e deve repassá-la de forma utilizável.
Quem pode resolver: engenheiro habilitado e ART
Modelar instalações e classificar riscos de saúde e segurança é atividade técnica privativa. O profissional precisa ter registro ativo no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do estado onde o serviço é prestado e emitir Anotação de Responsabilidade Técnica para cada projeto, conforme a Lei 6.496/1977 e as resoluções do Confea. A ART é o documento que vincula nome, número de registro e obra — e é ela que a fiscalização, o corpo de bombeiros, a concessionária e o cartório de registro de imóveis vão exigir.
Modelo sem responsável técnico é desenho tridimensional. O que transforma um arquivo em projeto é a assinatura de quem responde por ele perante o conselho profissional.
Na prática, o trabalho exige duas competências que nem sempre andam juntas: domínio das normas de dimensionamento de cada disciplina e domínio do fluxo de informação em ambiente comum de dados. Um coordenador que conhece o software mas não sabe por que um dispositivo diferencial residual precisa de circuito dedicado não consegue classificar o risco corretamente. O inverso também vale.
Como a GreenGold Engenharia entrega projetos com essa informação no modelo
A GreenGold Engenharia projeta instalações elétricas, hidráulicas, de esgoto sanitário e de drenagem em ambiente BIM, com mais de 20 anos de operação e cerca de 500 mil m² entregues. Os riscos de cada disciplina são identificados na fase de concepção, classificados por tipo e fase do ciclo de vida, e vinculados aos elementos do modelo — quadros, prumadas, caixas de inspeção, poços de visita e pontos de manutenção. A compatibilização entre disciplinas ocorre antes da emissão para obra, e não durante a execução. A coordenação técnica é de Rafael Barcelar (CREA-MG 0000214181D), responsável pela revisão de cada entrega.
O atendimento cobre quatro estados, com adequação às exigências locais de cada concessionária e de cada conselho regional:
- Minas Gerais — Belo Horizonte e Região Metropolitana. Padrões Cemig para entrada de energia e Copasa para água e esgoto; registro junto ao CREA-MG.
- São Paulo — Capital, Grande São Paulo e interior. Padrões Enel São Paulo e demais distribuidoras regionais, Sabesp para saneamento; visto no CREA-SP.
- Rio de Janeiro — Capital, Baixada Fluminense e Região dos Lagos, com escritório na Barra da Tijuca. Padrões Light e Enel Rio, Cedae e concessionárias sub-delegadas; visto no CREA-RJ.
- Espírito Santo — Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica. Padrões EDP Espírito Santo e Cesan; visto no CREA-ES.
Sobre valores: para residências e casos simples, o projeto de instalações trabalha com faixa orientativa que depende da área construída, do número de pontos, do padrão de entrada e da necessidade de levantamento em campo. Para edificações comerciais, multifamiliares, industriais e empreendimentos com exigência de modelo federado e entrega de informação de segurança estruturada, o orçamento é elaborado sob consulta, considerando número de disciplinas, nível de desenvolvimento contratado e prazo.
Perguntas frequentes
A ISO 19650-6 já é obrigatória no Brasil?
Ainda não. O texto da ISO 19650-6 está em Consulta Nacional pela ABNT desde 5 de agosto de 2026, etapa em que qualquer interessado pode enviar contribuições antes da publicação como norma brasileira. Obrigatoriedade contratual, porém, já pode existir: contratantes públicos e privados podem exigir o conteúdo em edital antes mesmo da publicação oficial.
Preciso de BIM para atender a ISO 19650-6?
A ISO 19650-6 foi escrita para o contexto de modelagem da informação da construção, e é nele que ela rende mais. Os princípios de classificação e transferência de informação, no entanto, podem ser aplicados em projetos bidimensionais com bases de dados associadas — o resultado é menos integrado e mais trabalhoso de manter.
Qual a diferença entre isso e o PGR do construtor?
O Programa de Gerenciamento de Riscos é obrigação do empregador e trata da execução. A ISO 19650-6 trata da informação que o projeto entrega para que o PGR possa ser feito com base real, e que segue viva depois da obra, na fase de uso e manutenção. São instrumentos complementares, não concorrentes.
Isso vale para reforma e retrofit?
Sim, e é justamente onde a ausência de informação mais pesa. Em reforma de edifício ocupado, o executor encontra instalações antigas sem cadastro. Nesse cenário, o levantamento em campo precede a modelagem, e a ABNT NBR 16280 exige plano de reforma com responsável técnico. O modelo resultante passa a ser o cadastro que não existia.
Quem responde se um risco não foi informado?
A responsabilidade é apurada caso a caso, mas a existência de registro estruturado muda a discussão. Com autor, data e decisão documentados, é possível demonstrar o que foi identificado e comunicado. Sem registro, a apuração recai sobre quem assinou a ART do projeto e sobre quem executou.
Vale a pena adequar um projeto que já está em andamento?
Depende da fase. Antes da emissão para obra, a adequação costuma ser vantajosa, porque aproveita o modelo existente. Com a obra em execução, o esforço se concentra em consolidar o cadastro do que foi construído e preparar a entrega para operação — o que já resolve o maior gargalo, que é a manutenção sem informação.
Fale com quem assina o projeto
Se o seu empreendimento vai exigir modelo federado com informação de segurança estruturada — ou se você quer antecipar a exigência antes que ela apareça em edital —, o caminho é revisar os requisitos de informação agora, na fase em que a correção ainda é barata.
ou ligue (31) 99742-0166
Responsável técnico: Rafael Barcelar — Engenheiro Civil — CREA-MG 0000214181D

